As supostas multiplicações, em última análise, sugerem reencarnação. É tudo uma questão de esperar pela próxima pergunta, que desta vez terá título; “Um 'impulso democrático' especial na AGESA” . Vamos ler…
“A tentativa do governo de convencer a opinião pública de que pretende dar … “A transição para um 'impulso democrático' que será caracterizado por uma sensibilidade particular – sem precedentes na última década – quando se trata de preocupação com o funcionamento das instituições e organizações de freios e contrapesos de poder, parece encontrar-se com ações de um boicote genuíno por parte dos membros do próprio governo ou daqueles que ocupam cargos por ele nomeados.”
“Se reconhecermos que não só os chamados “impulsos democráticos”, mas também os métodos mais básicos de controlo de custos exigem garantir que ninguém acabe por ser juiz e parte, ao mesmo tempo que tentamos – já que se trata de empresas e agências governamentais – não parecer assim, então a sequência de acontecimentos que – ao longo de três etapas pitorescas – ocorreram na AGESA permanece extremamente peculiar.”
“Numa primeira fase, um tanto infeliz, enquanto a Expo 92 ainda estava em pleno desenvolvimento, desembarcou no seu local um jovem funcionário do Tribunal de Contas que, aparentemente seguindo as instruções de um conselheiro, sem ter qualquer autoridade especial na matéria, dedicou-se à “preparação” dos processos que naquela altura deveriam ser controlados pelo próprio Tribunal.”
“Do entusiasmo e escrúpulo com que tão zeloso funcionário desempenha a sua função, restam dois exemplos expressivos. De um lado, um processo-crime movido por um especialista que trabalhava na auditoria interna da Expo, acusando o respeitado enviado de “falsificar” documentação ao preparar “ficheiros B” que não correspondiam aos ficheiros recolhidos no arquivo óptico da Expo; o juiz acaba por encaminhar o caso para o próprio Tribunal de Contas, caso sejam descobertas irregularidades contabilísticas… Por outro lado, o que fica para a posteridade é o frase (atestada por outros funcionários durante o julgamento) de um funcionário engenhoso que não descartava que o referido arquivo óptico pudesse um dia queimar (talvez este fosse um simples cálculo de probabilidades, dada a capacidade de queima que a Expo experimentou em algumas fases do seu desenvolvimento…).
“Depois desta tempestuosa introdução, inicia-se a segunda etapa: apesar do anúncio da liquidação da empresa Expo 92 no final da exposição, por razões inexplicáveis foi decidido que esta se tornaria AGESA. Na sua procura de um líder maduro e experiente para o cargo de Primeiro-Ministro – sem dúvida devido ao número limitado de pessoas com condições tão difíceis – não encontra outra escolha senão nomear para este cargo um funcionário recentemente prestigiado do Tribunal de Contas. Este previsivelmente encontra uma oportunidade para continuar as ações que tanto começou avidamente quando já foi anunciada a entrada do Tribunal, do qual era funcionário, para controlar a empresa da qual se torna presidente. Deixando de lado as incompatibilidades formais, a situação não nos permite contribuir para dar impulso – e não inteiramente democrático – a palpites óbvios sobre o controle pictórico em curso.
“Como se não bastasse, o presidente-oficial cede à terceira fase: experimentando novamente a escassez de gestores de que sofre o nosso país, encontra pessoal cooperativo não na sua empresa, mas entre os seus colegas do referido Tribunal, quase todos nomeados para o cargo de presidente daquela instituição. Tudo isto nos faz pensar que a AGESA acabou por se tornar uma empresa cuja finalidade social será a elaboração de relatórios que deverão estar sujeitos a um controle público e imparcial.
“Se a tudo isto acrescentarmos que a AGESA, por sua vez, terá de se reportar ao referido tribunal, e se pode prever que nessa altura toda a equipa de dirigentes que abandonou as suas fileiras estará reintegrada naquilo que era a sua actividade profissional, tudo isto não é propriamente um monumento à aparência de imparcialidade que o controlo das empresas públicas parece exigir – sem grande impulso.” Tudo isso levanta uma série de questões para o governo:
1. De quem, com que jurisdição e sob que acordo específico foi tomada a decisão de o referido funcionário se deslocar à Expo para preparar relatórios a submeter ao controlo do Tribunal de Contas, e com que instruções?
2. É prática normal a Câmara de Contas enviar tais embaixadores às empresas sob o seu controlo? Em que outros casos você fez isso e por quais motivos?
3. Considera o Governo que a nomeação pelo Presidente da AGESA de um funcionário envolvido em situações complexas, objecto de controvérsia pública e que, além disso, está integrado na estrutura orgânica do Tribunal, que em última instância terá de controlar a sua liderança, pode ser incluída nas suas medidas de “impulso democrático”?
4. Considera o governo um sinal de “impulso democrático” que o actual Presidente da AGESA se tenha rodeado de outros quatro funcionários do Tribunal de Contas, que – tal como ele – serão previsivelmente reintegrados na referida instituição de que dependiam quando a sua própria gestão tiver de ser controlada? Quantos funcionários do tribunal acima mencionado foram contratados pela AGESA? Quantos deles desempenharam as funções atribuídas à Presidência da referida instituição? Que razões obrigaram a tomar decisões tão contrárias à aparência de distanciamento e imparcialidade que qualquer controlo social exige?
5. Pretende o governo, para manter um mínimo de credibilidade na sua suposta prossecução do “impulso democrático”, proceder à substituição do Presidente da AGESA, com instruções ao seu sucessor para evitar todo o tipo de sobreposição funcional entre a referida empresa e o Tribunal de Contas?