Os militares dos EUA confirmaram na quarta-feira que colidiram com três navios suspeitos de contrabando de drogas, resultando em três mortes, enquanto outros teriam saltado ao mar.
A operação, supervisionada pelo Comando Sul dos EUA, não revelou a localização precisa dos ataques. Ações semelhantes anteriores ocorreram no Mar do Caribe e no leste do Oceano Pacífico.
Um vídeo postado pelo Comando Sul nas redes sociais mostrou os navios viajando em formação cerrada. Os militares alegaram que as embarcações faziam parte de um comboio em rotas conhecidas de tráfico de drogas e alegaram que “tinham transferido entorpecentes entre as três embarcações antes dos ataques”, embora nenhuma evidência tenha sido fornecida para fundamentar esta afirmação.
Três pessoas morreram quando o primeiro barco foi atingido. Os ocupantes dos outros dois barcos teriam saltado na água e se distanciado dos barcos antes de serem atacados. O Comando Sul afirmou que notificou imediatamente a Guarda Costeira dos EUA para ativar os esforços de busca e resgate.
Os ataques ocorreram na terça-feira. O comunicado do Comando Sul não informou se os que saltaram dos navios foram resgatados.
A convocação da Guarda Costeira é notável porque os militares dos EUA ficaram sob intenso escrutínio depois que as forças dos EUA mataram sobreviventes de um ataque no início de setembro, com um ataque subsequente ao seu navio avariado. Alguns legisladores democratas e especialistas jurídicos disseram que os militares cometeram um crime, enquanto a administração Trump e alguns legisladores republicanos dizem que o ataque subsequente foi legal.
Os últimos ataques elevam o número total de colisões com embarcações conhecidas para 33 e o número de pessoas mortas para pelo menos 110 desde o início de setembro, de acordo com números anunciados pela administração Trump.
O presidente Donald Trump justificou os ataques como uma escalada necessária para impedir o fluxo de drogas para os Estados Unidos e afirmou que os Estados Unidos estão envolvidos num “conflito armado” com os cartéis de drogas.
Juntamente com os ataques, a administração Trump construiu forças militares na região como parte de uma campanha de pressão crescente sobre o presidente venezuelano Nicolás Maduro, que foi acusado de narcoterrorismo nos Estados Unidos.
Entretanto, a CIA esteve por trás de um ataque de drones na semana passada numa área de ancoragem que se acredita ter sido usada por cartéis de droga venezuelanos, segundo duas pessoas familiarizadas com os detalhes da operação que pediram anonimato para discutir o assunto confidencial.
Foi a primeira operação direta conhecida em solo venezuelano desde que os Estados Unidos iniciaram os ataques em setembro, uma escalada significativa na campanha de pressão do governo sobre o governo Maduro.