Grécia e Chipre iniciam 2026 reduzindo o volume.
As capitais dos países, Atenas e Nicósia, trocaram o zumbido, o crepitar e o estrondo familiares dos fogos de artifício que fazem barulho nas janelas por um espetáculo sem onda de choque, optando por pirotecnia de baixo ruído, shows de luzes e exibições de drones.
A mudança visa tornar as celebrações de Ano Novo mais adequadas para crianças e animais de estimação, especialmente animais com audição mais sensível, numa ruptura com as tradições barulhentas e combustíveis do passado.
Uma mudança para a calma
Atenas adotou fogos de artifício “silenciosos” no ano passado, uma decisão que o prefeito Haris Doukas disse sinalizar uma mudança nas prioridades.
“Isso marca uma nova era nas celebrações do Ano Novo”, disse ele. “Um espetáculo de luzes espetacular, sem ruídos ensurdecedores, respeitando as pessoas, os animais e o meio ambiente.”
Nicósia foi mais longe e abandonou completamente os fogos de artifício convencionais depois de avaliar o seu custo. Os organizadores do evento e as autoridades municipais dizem que os fogos de artifício podem causar sofrimento aos residentes mais velhos, às crianças, às pessoas com autismo e às pessoas que sofrem de transtorno de estresse pós-traumático.
“Esta decisão faz parte do esforço mais amplo do município para modernizar as celebrações públicas e alinhá-las com as tendências europeias e objetivos de sustentabilidade”, afirmou o município.
Fogos de artifício ‘silenciosos’ destacam pontos de referência
Os fogos de artifício de baixo ruído ainda dependem da pólvora negra como propulsor para lançar e dispersar as “estrelas” ou bolinhas que criam cores e efeitos visuais. Mas eles usam cargas menores e evitam as explosões que geram os estalos altos típicos dos displays tradicionais.
Esta pirotecnia mais silenciosa não é nova e é frequentemente incorporada em espetáculos maiores, incluindo efeitos montados em locais icónicos como a Torre Eiffel ou o London Eye.
Cris Matthews, fundadora da Quietworks, uma empresa com sede no Reino Unido especializada em fogos de artifício de baixo impacto, disse que usar opções mais silenciosas geralmente requer planejamento e criatividade extras e são ideais para celebrações mais íntimas.
“O argumento a favor de fogos de artifício silenciosos ou de baixo ruído torna-se muito mais relevante à medida que as exibições ficam menores”, disse ele. “Para exibições como casamentos e festas privadas, as opções de fogos de artifício com baixo ruído podem oferecer muito mais benefícios.”
Velhos hábitos e novas tecnologias
O uso privado (e muitas vezes ensurdecedor) de fogos de artifício continua a ser comum na Grécia e em Chipre em ocasiões como a Páscoa Ortodoxa. Em algumas áreas rurais, as tradições de posse de armas ainda levam a tiros comemorativos. Ambas as práticas resultaram em lesões.
Este ano, a maioria dos municípios de Atenas continuará a usar fogos de artifício que incluem fortes explosões. Mas as celebrações de Ano Novo no centro da cidade, emolduradas pela antiga Acrópole, centram-se no esplendor visual, incorporando luzes e drones à medida que as opções de alta tecnologia se tornam mais sofisticadas e acessíveis.
Em Nicósia, os drones “substituíram efetivamente” os fogos de artifício em eventos municipais, proporcionando “altos níveis de criatividade”, afirmou o município. Ao contrário dos fogos de artifício, as exibições de drones geram ruído mínimo, não produzem emissões químicas ou resíduos e não representam risco de incêndio.
O momento é deliberado. Chipre assumirá a presidência rotativa da União Europeia em 1 de janeiro e a capital planeia utilizar monitores de drones para mostrar o simbolismo cipriota e da UE ao longo do ano.
“O objetivo geral do Município é dar o exemplo, priorizando alternativas mais seguras, mais verdes e mais sustentáveis”, disse, “e afastando-se definitivamente dos tradicionais fogos de artifício em eventos municipais sempre que possível”.
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Hadjicostis relatou de Nicósia.