O ex-Presidente brasileiro Jair Bolsonaro recebeu alta por motivos de saúde esta quinta-feira, dia de Ano Novo, deixando o hospital de Brasília onde esteve internado na véspera de Natal e regressou à esquadra onde estava preso desde novembro por liderar o plano golpista. O político de extrema-direita esteve internado durante oito dias, durante os quais foi submetido a uma intervenção cirúrgica planeada para reparar uma hérnia inguinal bilateral e a mais três procedimentos para tentar acabar com os soluços recorrentes de que sofre. Horas antes de sua partida, o juiz Alexandre de Moraes rejeitou um pedido dos advogados de Bolsonaro para permitir que seu cliente fosse colocado em prisão domiciliar por problemas de saúde.
Bolsonaro foi levado do hospital para a sede da Polícia Federal pouco antes das 19h. em um carro sem identificação acompanhado por uma grande escolta motorizada. Pouco antes disso, sua esposa deixou o hospital privado onde o marido estava internado.
O juiz Moraes argumentou, ao rejeitar o pedido de Bolsonaro para cumprir pena em casa por motivos de saúde, que “ao contrário do que afirma a defesa”, a saúde do ex-presidente não se deteriorou durante sua internação, mas sim houve um “padrão clínico de melhora no desconforto que sentiu após se submeter a novas cirurgias eletivas”.
O juiz do Supremo Tribunal recorda no seu despacho que, ao ordenar que Bolsonaro cumprisse a pena numa esquadra e não na prisão, estipulou a presença de uma equipa médica para monitorizar a saúde do preso 24 horas por dia, permitiu que fosse tratado por especialistas de sua confiança e permitiu que os seus familiares lhe fornecessem comida caseira.
Bolsonaro foi hospitalizado com autorização judicial para ir ao centro cirúrgico e tratar hérnias. Mais tarde, os médicos decidiram submetê-lo a um bloqueio do nervo frênico com anestesia para aliviar os espasmos recorrentes que ele sofre de problemas gastrointestinais decorrentes de uma facada que sofreu durante a campanha de 2018.
Além dos soluços e hérnias tratados, Bolsonaro sofre de hipertensão e apneia do sono. Ele começou a tomar antidepressivos por conta própria porque os espasmos do diafragma estavam afetando seu humor.
Bolsonaro foi condenado em setembro a 27 anos de prisão e inabilitação por encenar um golpe para permanecer no poder depois de perder as eleições de 2022 para o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
De sua cela, o líder da direita brasileira indicou seu filho Flávio Bolsonaro, senador, como candidato presidencial. Ele enfrentará Lula, que disputa a reeleição.