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No Peru, onde a Amazônia peruana cobre mais de 60% do território, dois conselhos municipais, Satipo (em Junín, no centro do país) e Nauta (Loreto, na fronteira com a Colômbia e o Brasil), protegem conheceu o inseto, a abelha sem ferrão local e a região onde ela vive.

Em entrevista à ABC, o advogado Javier Ruiz e a bióloga Rosa Vazquez, que fizeram parte da equipe que trabalhou com comunidades indígenas durante 3 anos para aprovar as medidas, destacaram que esta é uma grande conquista: “As abelhas indígenas sem ferrão se tornarão Guardas amazônicos para o benefício da humanidade que sofre as consequências das alterações climáticas.

“Iniciamos esse trabalho para que as abelhas sem ferrão não sejam mais invisíveis no Peru, porque, sendo polinizadores da vegetação e a flora local sustenta a vida de todos os tipos de plantas amazônicas”, explicou Javier Ruiz.

De acordo com Rosa Vazquez, da Amazon Research International, “Isso demonstra como a ciência moderna e a sabedoria antiga podem se unir para criar soluções reais de conservação”.

Enquanto isso, o líder indígena e presidente da EcoAshaninka, Cesar Ramos Perez, disse: “Neronto (Melipona eburnea) tem muito o que fazer. Para nós, isso é vital para a comunidade e para os povos indígenas.

A cidade de Satipo concede direitos legais às abelhas nativas sem ferrão dentro da Reserva da Biosfera Awiriri VRAEM, ou seja, seu habitat também é protegido.

As abelhas mais antigas do planeta

As abelhas nativas sem ferrão são as espécies de abelhas mais antigas do planeta e são responsáveis ​​pela polinização de grande parte da flora amazônica, como café, cacau, abacate e mirtilos.

O relatório técnico sobre a portaria municipal aprovada em Satipo e Nauta foi elaborado pela Amazon Research International e pelo Earth Law Center em colaboração com unidades de conservação locais.

Uma das razões para a aprovação da portaria em Satipo é que as abelhas nativas sem ferrão, incluindo Melipona eburnea, Tetragonisca angustula, Melipona illota e Melipona grandis, estão ameaçadas devido às alterações climáticas, desflorestação, pesticidas e perda de habitat. Afirma-se também que seu declínio tem implicações para a restauração da floresta amazônica, a segurança alimentar, a continuidade do conhecimento tradicional Ashaninka, os meios de subsistência sustentáveis ​​baseados na meliponicultura ou a criação deste tipo de abelha meliponi.

Que direitos são reconhecidos?

A decisão Satipo reconhece os direitos inerentes às abelhas e aos seus ecossistemas, tais como o direito de existir e prosperar, de manter populações saudáveis, de um habitat saudável e limpo, o direito a condições climáticas ambientalmente estáveis ​​e o direito a representação legal em casos de ameaça ou dano. Ou seja, as normas aprovadas em Satipo e Nauta permitirão a tomada de medidas imediatas contra qualquer atividade humana que afete o habitat das abelhas sem ferrão.

Os povos indígenas apoiam a agricultura sustentável desta espécie de abelha.

Como explicou Rosa Vasquez à ABC, a aprovação das duas regulamentações ajudará os programas de reflorestamento a incluir uma flora que não afeta as abelhas sem ferrão, como as tulipas africanas que as matam. “Também ajuda os jovens da Amazônia peruana a se interessarem em aprender sobre as abelhas, a trabalhar na apicultura sustentável e a se conscientizarem gradativamente da importância crítica do combate aos efeitos das mudanças climáticas”, detalha.

Cesar Delgado, cientista do Instituto de Pesquisas da Amazônia Peruana, lembra que as abelhas desempenham um papel importante na regulação climática porque ao desempenhar a função de polinização, permite que a floresta se mantenha em equilíbrio capturando mais CO2 da atmosfera.

No futuro, disse Delgado, a equipe fará estudos sobre os efeitos dos incêndios florestais sobre essas abelhas, como os incêndios florestais que ocorrem na Amazônia e que se intensificam a cada ano. “Continuaremos a estabelecer regulamentações para proibir o uso de inseticidas e melhorar as políticas de reflorestamento e reflorestamento para proteger as abelhas nativas sem ferrão.”

Referência