No alto das montanhas Zagros, no Irão, um punhado de famílias Bakhtiari continuam a migrar sazonalmente a pé com os seus rebanhos, seguindo trilhos abertos nos campos de neve. Algumas dessas trilhas são utilizadas há séculos, conectando pastagens de inverno nas terras baixas com pastagens de verão acima de 2.500 metros acima do nível do mar. A viagem conhecida como montesé existência e herança. Num país marcado por sanções, escassez de água e urbanização crescente, este modo de vida sobrevive sob pressão crescente.
A migração não depende mais apenas das estações do ano, mas do declínio das pastagens, da construção de barragens, das chuvas irregulares e da atração constante das cidades. O que outrora foi a base da sociedade persa, com tribos nómadas e semi-nómadas a constituir uma parcela significativa da população, está a tornar-se cada vez mais raro. Hoje, apenas uma pequena proporção das famílias Bakhtiari migram exclusivamente a pé. Aqui o movimento dita tudo. Aqui, durante a longa viagem dos últimos pastores nómadas do Irão, não há separação entre trabalho, família e sobrevivência. Para eles, a migração nunca foi um gesto romântico. É trabalho, risco e negociação constante com a paisagem.
Estas pessoas resistem a um estilo de vida sedentário, mas à medida que cada vez menos famílias continuam a liderar grupos, surgem questões: O que resta de uma cultura construída sobre o movimento quando o próprio movimento se torna impossível? O que acontece quando as rotas ancestrais desaparecem sob estradas, barragens e fronteiras? Os Bakhtiari não desaparecem, mas transformam-se. Cada viagem é um ato de perseverança. As montanhas ainda lembram seus rastros.










