janeiro 12, 2026
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A justiça francesa condenou esta segunda-feira 10 pessoas por espalharem informações falsas nas redes sociais de que Brigitte Macron, esposa do presidente francês Emmanuel Macron, era na verdade uma pessoa que tinha mudado de identidade. São oito homens e duas mulheres, com idades entre 41 e 60 anos, que foram julgados em outubro. Eles foram condenados a oito meses de prisão, suspensa. Como não têm antecedentes criminais, não terão de ir para a prisão, desde que sigam certas regras de conduta.

As sentenças mais pesadas foram proferidas aos três autores da farsa: Aurélien Poirson-Atlan, que usa o pseudónimo Zoë Sagan nas redes sociais, foi condenado a oito meses de prisão por uma série de tweets ofensivos nos quais dizia que Brigitte Macron era um “homem” e a chamava de pedófila. Outra arguida, uma alegada médium chamada Delphine J. que transmitiu um vídeo no YouTube em que também questionava a identidade da primeira-dama, foi condenada a seis meses de prisão, tal como o galerista Bertrand Scholler, que fez uma montagem fotográfica de Brigitte Macron.

O tribunal acredita que os restantes sete participantes, todos homens, eram “seguidores” e foram condenados a penas entre quatro e oito meses. Alguns dos condenados são obrigados a fazer um curso de conscientização sobre crimes digitais. O julgamento ocorreu no final de outubro e os promotores pediram penas de três a 12 meses de prisão, menos do que a primeira-dama esperava.

A origem do boato remonta a 2017, quando Emmanuel Macron venceu as primeiras eleições presidenciais. Já nessa altura começou a espalhar-se nas redes sociais que Brigitte Macron era na verdade Jean-Michel Trognet, nome de um dos seus irmãos, e que tinha mudado de género. Finalmente, em 2024, ele apresentou uma denúncia de cyberbullying.

Os Macron também têm outro caso aberto pelo mesmo motivo nos Estados Unidos. Eles processaram pessoa influente vinculado à extrema direita Candace Owens por publicar uma série de vídeos chamada Torne-se Brígida (Becoming Bridget), em que ela espalha boatos sobre o casal presidencial. A primeira-dama é 24 anos mais velha que Emmanuel Macron, e isso tem sido usado para alimentar todas estas teorias da conspiração.

Se for processada nos EUA, a primeira-dama terá de apresentar provas de que é mulher, como fotografias da sua gravidez. Quando o casal se conheceu, ela já era mãe de três filhos. Esta é uma das poucas vezes em que um chefe de estado em exercício enfrenta tal fraude noutro país.

A filha de Brigitte Macron, Tiphaine Ozier, disse num tribunal de Paris em Outubro passado que esta “campanha de ódio” causou danos morais à sua mãe, que deve estar “consciente do seu comportamento, até mesmo da sua escolha de roupa ou pose” porque sabe que a sua imagem “será explorada”.

A primeira-dama não compareceu ao julgamento em Paris, embora tenha dito, ao apresentar a queixa, que os rumores afectaram a sua vida porque os seus netos tiveram de ouvir “que a sua avó é um homem”. “Estou do lado dos adolescentes que lutam contra o bullying, por isso, se não der o exemplo, será difícil”, disse Brigitte Macron em entrevista à televisão francesa TF1 este domingo, ainda antes de o veredicto ser anunciado.

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