O presidente dos EUA, Donald Trump, retirará seu país de um tratado climático fundador e do principal órgão mundial de avaliação do aquecimento global, como parte de um afastamento radical do sistema das Nações Unidas, anunciou a Casa Branca na quarta-feira.
Um total de 66 organizações internacionais, compostas por “35 organizações não pertencentes às Nações Unidas (ONU) e 31 entidades da ONU”, foram nomeadas num memorando da Casa Branca como sendo “contrárias aos interesses nacionais, à segurança, à prosperidade económica ou à soberania dos Estados Unidos”.
O mais notável deles é a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC), o principal tratado que sustenta todos os principais acordos internacionais sobre o clima.
Trump, que colocou todo o peso da sua política interna nos combustíveis fósseis, desdenhou abertamente o consenso científico de que a actividade humana está a aquecer o planeta, ridicularizando a ciência climática como uma “farsa” na cimeira de alto nível da ONU em Setembro passado.
A UNFCCC foi adoptada na Cimeira da Terra do Rio, em Junho de 1992, e aprovada nesse mesmo ano pelo Senado dos EUA durante a presidência de George HW Bush.
A Constituição dos EUA permite que os presidentes façam tratados “desde que dois terços dos senadores presentes concordem”, mas é omissa sobre o processo de retirada deles, uma ambiguidade jurídica que pode gerar desafios.
A saída do tratado subjacente poderia introduzir incerteza jurídica adicional em torno de quaisquer esforços futuros dos EUA para voltar a aderir.
“A retirada dos EUA do presidente Trump do tratado global crítico para enfrentar as alterações climáticas é um novo mínimo e mais um sinal de que esta administração autoritária e anticientífica está determinada a sacrificar o bem-estar das pessoas e a desestabilizar a cooperação global”, disse à AFP Rachel Cleetus, da União de Cientistas Preocupados.
O memorando também orienta os Estados Unidos a retirarem-se do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas, o órgão da ONU responsável pela avaliação da ciência climática, juntamente com outras organizações relacionadas com o clima, incluindo a Agência Internacional de Energia Renovável, a ONU Oceanos e a ONU Água.
Tal como no seu primeiro mandato, Trump também retirou os Estados Unidos da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), à qual o país voltou a aderir durante a administração Biden.
Trump também retirou os Estados Unidos da Organização Mundial de Saúde e reduziu drasticamente a ajuda externa, cortando o financiamento a numerosas agências da ONU e forçando-as a reduzir as operações no terreno, incluindo o Alto Comissariado para os Refugiados e o Programa Alimentar Mundial.
Outros organismos notáveis mencionados no memorando incluem o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), que trabalha na saúde e nos direitos sexuais e reprodutivos, e a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), que se concentra no comércio, investimento e desenvolvimento.
Falando perante a Assembleia Geral em Setembro, Trump lançou um ataque contundente contra a ONU, dizendo que esta “não estava nem perto de atingir” o seu potencial.