janeiro 12, 2026
WhatsApp20Image202026-01-0920at2002.08.55-U33448705626vey-1024x512@diario_abc.jpg

Na tradição teatral, uma trupe composta por um ator, como era tão comum nos séculos XVI e XVII, é chamada de bululu. Hoje nós chamaríamos isso teatro individualmonólogo, solitário… mas o termo bululu preserva esse aroma poético e popularidade, o que o liga diretamente às nossas raízes performáticas.

E é justamente pela quantidade de referências à Idade de Ouro contidas nesta montagem que ela não é exagero. descrevem a obra do tradutor consaburense Jacobo Gallego como um autêntico bululu moderno.. Só ele, dono absoluto do palco, traz muitos personagens diante do espectador, anunciando-os, transformando-os, brincando com eles. Como um bululus clássico, não tem vergonha de ir além do texto para compartilhar anedotas pessoaisImprovise gestos cômicos ou estabeleça a participação direta com o público, o que mantém um clima divertido e sempre chama a atenção. E acredite, esse nome é Bululu Eu sei quem sou e sou Sancho Pança. demonstra notável criatividade e versatilidade.

A obra parte de uma premissa tão simples quanto eficaz: após a morte de Dom Quixote Sancho Pança se envolveu em um acidente em seu confiável carro cinza. e perde a memória de suas aventuras como escudeiro. A partir daqui, Sancho – ou o que dele resta – reconstrói episódios de Dom Quixote a partir do seu ponto de vista particular, por vezes apoiando-se mais em sonhos e fábulas do que em memórias claras. Durante a hora e três quartos da apresentação cenas famosas como o rugido Casamentos Camachopastora Marcela, Caverna de Montesinospadre, cabeleireiro, Sansão Carrasco e por muito tempo e assim por diante. Tudo isso leva, é claro, a anagnorisisaquele momento de revelação quando um personagem finalmente entende quem ele é e onde se encaixa em sua história. O clássico “ah, agora entendi”, que se resume aí no título: sei quem sou, e sou Sancho Pança.

Mas Gallego não está satisfeito com o acordo de Sancho: Permite-se deliciosas excursões a outros territórios literários. Fale com a Sigismundo a vida é um sonholê um trecho de um famoso monólogo viver é sonharpersonifica o zombeteiro Don Juan, o escudeiro dos romances de cavalaria, ou vestígios foto engraçada de Celestinadecidindo ler a caligrafia do pobre Sancho.

Formalmente, a exposição é uma pequena celebração dos recursos interpretativos: diálogo com personagens, objetos simbolizados, monólogo puro, narração cega, recitação romântica, canto e, sobretudo, interação constante com o público, que em uma cena se transforma em coro cúmplice.

Interpretação deslumbrante

Além da escolha dos textos – bem equilibrados entre o familiar e o inesperado – o que impressiona mesmo é a interpretação de Jacobo Gallego. Ele se move facilmente entre os clássicos e o humor.popular e acadêmico, bem-humorado e solene, emocional e realista. E tudo isso com uma autoconfiança contagiante e um ritmo que não dá trégua. Se algo pode ser dito sobre seu trabalho é que ele colocou o público no bolso com sua energia multifacetada. Um ator, mil personagens e muitas risadas.

Decorações, simples mas discretas; figurinos, engenhosos, permitindo diferenciar tantos personagens com o mínimo esforço; a iluminação é precisa e expressiva; e a música, sempre oportuna, proporciona a plataforma perfeita para o artista brilhar.

Estreia nacional do filme Eu sei quem sou e sou Sancho Pança. no refeitório do teatro Rojas bululu, que acordou Sancho Pança, confirma que estamos diante de show decente, sólido e adequadopara todos os tipos de público. Um bulul moderno executado com profissionalismo e charme que diverte, surpreende e cativa. Os espectadores que lotaram o salão entenderam assim: riram durante toda a apresentação e recompensaram o ator com calorosos aplausos finais.

Ficha técnica

Qualificação: Eu sei quem sou e sou Sancho Pança.. Autor do texto e endereço: Alberto Gálvez. Intérprete: Jacobo Gallego. Cenografia e adereços: Alberto Galvez Bravorante Produções e Espadas 'Mariano Zamorano'. Vestiário: Bravorante Produções. Luz e som: Rosa Herrera. Música: Juan José Robles e Carolina Palencia. Produção: Bravo. Cenário: Café no Teatro Roxas.

Referência