janeiro 11, 2026
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Angel Leon está provavelmente vivendo um dos momentos mais memoráveis ​​de sua carreira profissional. Um chef de Cádis, vencedor de três estrelas Michelin e conhecido em todo o mundo como o chef do mar, admitiu recentemente que passou por estágio de fadiga profunda da gastronomia. Não com a cozinha em si, mas com tudo o que a rodeia. “Estou cansado disso”– resumiu com franqueza durante sua visita à Cadena SER em entrevista a Carlos G. Cano sobre o programa Gastro SER.

Leon explicou que já há algum tempo sentia necessidade de mudança. Esta não foi uma reflexão improvisada, mas o resultado de anos de constantes revelações, entrevistas, documentários e discursos em que teve que falar continuamente de si mesmo. “Estou cansado de falar sobre mim”– ele admitiu. Tanto que até evita se ver na TV quando aparece porque se sente cansado, como quem passa muito tempo se explicando e muito pouco simplesmente vivendo o que faz.

Grande parte desse desgaste se deve sua relação com o maro eixo central da sua cozinha. Angel Leon vem pesquisando isso há anos, afirmando e colocando em palavras. No entanto, em algum momento ele sentiu que algo deu errado. “Já falo do mar há muito tempo, mas quero estar no mar”– ele explicou.

Ponto de viragem depois da Mesa do Chef

Uma das coisas que mais influenciou esse pensamento foi sua participação na Chef's Table, uma série documental da Netflix que traça o perfil de alguns dos chefs mais influentes do mundo. Embora tenha gostado do resultado e reconhecido a magnitude do projeto, a sensação que teve ao ver o capítulo finalizado foi desconcertante. “Parecia que minha história já havia sido contada.”ele veio dizer.

Não se tratava de uma crítica ao documentário, mas sim ao que nele evocava. Visto de fora, contado como personagem, Ele teve a impressão de que sua jornada havia chegado ao fim.como se alguém tivesse posto fim à sua história. Esse sentimento o fez parar e se olhar de longe. Por um lado, era uma figura pública; por outro lado, uma pessoa real, com preocupações, dúvidas e muitas outras coisas.

Então surgiu uma ideia inconveniente, mas honesta: ele estava entediado com gastronomia. Não sobre culinária, pesquisa ou criatividade. Estava cansado do contexto, do excesso de conteúdo, de ter que explicar constantemente cada prato, cada ideia e cada decisão, como se tudo tivesse que ser acompanhado de uma grande história.

Gastronomia cheia de discursos

Angel Leon traduziu em palavras um sentimento que muitos chefs compartilham, mas poucos expressam em palavras. A gastronomia vive um momento de saturação narrativa. Tudo precisa de uma história, uma mensagem, uma justificativa. Parece que cada chef é obrigado a construir o seu próprio discurso, quase um estilo de assinatura. E isso começa a pesar com o tempo.

“É tudo muito grosso”diz o chef. Não como uma crítica destrutiva, mas como um diagnóstico. Quando a criatividade se torna uma responsabilidade e as emoções se tornam conteúdo, algo sofre. No caso dele, esse cansaço traduziu-se numa necessidade de diminuir o ruído e repensar o caminho.

Saturação, o que não significa sair ou desistir. Contra. Angel Leon deixou claro que Ele não vai sair ou desaparecer.. Ele quer continuar, mas de uma forma diferente. Mais conectados com o que é importante e menos motivados pela atenção da mídia. Menos explicação e mais experiência real, tanto para ele como para quem está sentado à sua mesa.

E às vezes parar e admitir que está cansado também é uma forma de seguir em frente. Angel Leon continua a ser um dos chefs mais influentes no cenário internacional. Mas agora, além das estrelas e dos discursos, ele parece procurar algo muito mais simples e ao mesmo tempo mais complexo: aproveite de novo sem contar tudo.

Referência