janeiro 16, 2026
1467023024-U24338427345KBu-1024x512@diario_abc.JPG

Presidente do Conselho Geral dos Colégios de Dirigentes Administrativos, Fernanda Santiagoalertou para o aumento de fraudes cada vez mais sofisticadas que se fazem passar por governos, instituições financeiras e empresas legítimas, recorrendo à inteligência artificial e a técnicas avançadas de fraude. falsificação de documentos e roubo de identidade. “O golpe perfeito não precisa mais mentir, só precisa parecer oficial. E, a menos que atuemos de forma rápida e decisiva, aqueles menos capazes de se proteger serão os que mais sofrerão”, alertou.

“Estamos à beira de uma mudança de paradigma. Não estamos mais falando de fraude flagrante ou facilmente detectável. Hoje é uma farsa perfeitamente construídoutilizam linguagem administrativa, documentos idênticos aos oficiais e canais de comunicação que os cidadãos reconhecem como confiáveis”, disse Fernando Santiago.

Recordemos que nos últimos dias tem havido uma proliferação de documentos falsos que imitam mensagens oficiais de Seguro Social. Um desses documentos, que foi testado como fraude, solicita informações pessoais e bancárias sob o pretexto de supostas alterações regulatórias ou incidentes técnicos. “Tais documentos enganam precisamente porque durante décadas educamos os cidadãos para confiarem na Administração. Hoje essa confiança está a ser usada contra ele”, alertou.

Santiago enfatizou que o problema vai muito além do correio tradicional. “Recebemos informações sobre ligações em que clona a voz dos gestores ou gestores hierárquicos que utilizam inteligência artificial. São dadas instruções urgentes e credíveis e são fornecidas transferências ou acessos que nunca seriam fornecidos noutro contexto”, explicou.

Falsificação de número de telefone

Ele também alertou sobre a falsificação de números de telefone. “O cidadão vê na tela o número real do seu banco, do seu fornecedor ou órgão governamental. Confiança. E é aí que ocorre o engano. Por trás não está a essência, mas organização criminosa perfeitamente organizado”, observou ele.

O Presidente dos Gestores Administrativos centrou-se nos grupos mais vulneráveis. “ pessoas idosasaqueles que vivem sozinhos ou aqueles que estão menos preparados digitalmente ficam completamente desprotegidos. “Pedimos-lhes que desconfiem de tudo, mas não lhes damos ferramentas reais para testar nada”, disse ele.

Neste sentido, Santiago foi particularmente crítico em relação sem resposta estrutural por parte das instituições. “Nem as recentes alterações regulamentares, nem o debate pré-agendamento, nem as reduções nos tempos de espera telefónica resolvem o problema subjacente. Hoje, os cidadãos não têm um lugar claro para onde ir para verificar se uma mensagem é verdadeira ou falsa”, alertou.

Mais responsabilidade

Além disso, exigia maior responsabilidade por parte instituições financeiras e tecnológico. “Quando um cidadão compra num site que parece sério, mas que acaba por ser uma fraude, então alguém já falhou. Não pode ser que os terminais POS, gateways de pagamento ou serviços financeiros sejam fornecidos sem controlos suficientes. Sem esta infraestrutura, muitas fraudes simplesmente não existiriam”, enfatizou.

Fernando Santiago insiste que a solução para o problema não está apenas nas campanhas de informação. “Não basta dizer a um cidadão para ter cuidado. É necessário criar salvaguardas, canais formais de verificação, atenção pessoal real e responsabilidades claras. Caso contrário, admitimos que é uma fraude taxa de digitalização“, concluiu.

Referência