Hoje é um dia especial para Jesus Vallejo (Zaragoza 1997), que enfrentará nas oitavas de final o Real Madrid, clube ao qual pertencia e com mais más notícias do que boas. Em Albacete voltou a sentir a sua importância.
-Você já sonhou em chegar ao Real Madrid? … Madri?
-Eu não quis dizer isso. Além disso, quando me estrear na equipa principal do Real Zaragoza, sonho ser jogador de futebol, consolidar-me e tornar-me mais forte. Não esperava que na minha primeira temporada receberia uma ligação do Real Madrid.
– E sai após fazer o pedido, deixando milhões.
– Sim, lembro que o goleiro Dario Ramos também participou da operação. Para mim foram cinco milhões, para o Dario foi um. Isso também ajudou muito o Zaragoza. Todos ganhámos no verão e isso deixou-nos todos felizes, até porque ainda me restava um ano emprestado ao meu clube.
– Você ganhou indo para Madrid tão jovem?
– Sim, porque são oportunidades que não podem ser desperdiçadas.
-E ele passou dez anos como jogador branco.
– Sim, foram muitos anos; cinco no time titular, o restante emprestado; primeiro ano no Zaragoza, meia temporada no Eintracht Frankfurt, outra no Wolverhampton, na Inglaterra e, finalmente, dois anos e meio no Granada.
– Olhando para trás, o que resta daquela década?
– Do Real Madrid, a experiência de jogar neste clube, uma equipa em que todos querem jogar, um objectivo para muitos, mesmo para jogadores que alcançaram sucesso noutros clubes e ganharam muito. Tive a sorte de conseguir isso ainda jovem e gostei e aprendi com todos os grandes companheiros com quem dividi o vestiário.
“Do Madrid, o Cristiano impressionou-me pela sua persistência diária e o Rodrigo pelo seu talento individual”
– Lembra do primeiro dia no clube?
– Quando assinei, naquele dia. Tudo era espetacular, Valdebebas era a Disneylândia. Aí, quando entro no time principal, encontro esses jogadores, com tanto talento…
-Qual jogador mais te influenciou?
– Por um lado, Cristiano Ronaldo trabalha ao nível da perseverança diária. Depois, Rodrigo pelo talento individual e pela habilidade que o tornou muito bom em trabalhar em espaços pequenos.
– Ele também concordou com Vinicius.
“Ele é um jogador impressionante e explosivo, mas mesmo antes do ano de Lopetegui dava para ver quanto potencial ele havia desbloqueado.
– Você entende que discórdia isso causa entre os hobbies?
– É um jogador muito impulsivo e com um estilo de jogo próprio. Há tanta energia em seu jogo que ele a transfere para seus adversários e torcedores adversários. Depurar essas pequenas coisas pode ser impressionante.
– Você acha que precisa limpá-los?
– Isso seria bom, porque se eu fizesse isso me tornaria um jogador melhor. Estou convencido disso.
– O que encontrou em Albacete para ter um desempenho ao nível que mostra depois de sair de Madrid?
“Esta cidade e este clube têm-me dado muita estabilidade e tranquilidade no meu dia a dia, que é o que preciso de fazer todos os dias. Depois o balneário, onde me sinto muito integrado e à vontade desde o início. Enquadro-me na equipa e isso transparece em campo. É muito difícil não ser bom tanto na aldeia como na cidade e depois mostrar resultados excelentes. Isso é impossível.
– Isso significa que você se sentiu mal em Madrid?
– Não, de jeito nenhum, mas cheguei em Albacete e me adaptei perfeitamente. O segredo era manter a continuidade que gostaria de ter no Real Madrid. No final fomos contínuos e jogamos um jogo após o outro porque não há melhor maneira de treinar do que competindo.
– Nesta metade da temporada jogou quase mais pelo Albacete do que pelo Real.
– São coisas de futebol, mas é preciso lembrar que o Real Madrid é o melhor clube do mundo e que a competição é acirrada porque você não está disputando apenas sua posição nos treinos, mas também contra outros jogadores de outros times que seu clube procura para outras temporadas.
– A pressão das brancas poderia ser mais estável?
“Pela minha parte, talvez às vezes eu tenha exagerado nos treinos, treinando mais para estar melhor preparado para o momento em que chegasse a minha vez de jogar. Isso fez com que as próprias lesões não me permitissem mais jogar. A competição era tão alta naquela época com Sergio Ramos, Varane, Nacho, Militão… eles estavam todos saudáveis e disponíveis, o que fez com que os treinadores pudessem contar com eles desde cedo.
“Talvez eu tenha exagerado nos treinos para estar mais preparado; “Por causa disso, as lesões me impediram de jogar mais.”
– Como você se sentiu quando o jovem chegou e te ultrapassou? Por exemplo, o caso de Asensio. Ele comeu muito a cabeça?
– Não, porque eu via isso como parte do jogo, como parte do clube tentando pegar jogadores das categorias de base e promovê-los, seja no time titular ou por ganho financeiro. Isso faz parte. O que eu precisava fazer era continuar me preparando para concluir a tarefa quando chegasse a minha vez. Isso era o que eu tinha na mão.
– Você não sentiu apoio dos treinadores? Ancelotti, por exemplo, quando podia contar contigo.
– Senti-me apoiado pela comissão técnica, neste caso pelo Davide e pelo Francesco, aqueles que estiveram comigo dia após dia nos treinos. Graças a eles, eles me mantiveram vigilante e firme durante as correções. Eles me apoiaram e me prepararam para o momento em que chegasse a minha vez de jogar.
– Você se arrepende de não ter conseguido se provar mais em um clube branco?
– Não, de jeito nenhum. Sei que isso é muito difícil, embora talvez eu pudesse saber lidar melhor com a questão de querer mostrar o meu valor nos treinos, deveria ter me regulado um pouco mais, mas prefiro assim ao invés de ser descuidado.
“Consequentemente, a calma que tem em Albacete faz com que tenha um desempenho mais óptimo.
– É uma pequena soma de tudo; um bom dia a dia, sentir-se confortável na cidade, ver-se competindo… Tudo o que queremos é competir porque torna a semana muito melhor; tudo está restaurado e pronto para jogar novamente. Quando não estiver competindo, você precisa tricotar renda para se preparar.
– Substituições, lesões, desconfortos… afetaram você mentalmente?
– Mais do que uma substituição, o que é compreensível num clube como o Real Madrid, o problema é que tive mais oportunidades de estar lá do que tive no ano passado. Sim, todos querem estar disponíveis, mas o que me resta é o facto de quando chegou a minha vez, poder estar com os meus companheiros e sei que eles me agradecem e me valorizam, mesmo aqueles que ainda estão na equipa principal.
– Muita gente se lembra do seu jogo com o Manchester City.
– Foi um jogo que as pessoas realmente lembraram. Não era esperado que eu estivesse tão preparado para o jogo naqueles poucos minutos, mas para quem treinava comigo todos os dias – comissão técnica e companheiros – não pareceu tão estranho porque me viram. Havia muita expectativa, as pessoas falavam que era um grande jogo, quando eu simplesmente saí para fazer o meu trabalho e tentei me salvar, entrar em contato, me comunicar com Nacho e Carvajal…
– Foi difícil lidar com o que o Real Madrid representa tão jovem?
– Acho que você precisa estar preparado. No meu caso, tive experiência jogando pelo Zaragoza, fui capitão muito jovem e lá não estava tão preparado. Eu tive que aprender fazendo então. Foi uma jornada desde o ensino médio com os amigos até jogar na segunda divisão com uma braçadeira. Isso me ajudou quando cheguei ao Real Madrid. Antes dos jogos contra o Saragoça, até vivi momentos de mais stress e pressão do que contra o Real Madrid.
– Você sofreu mais mentalmente do que no Real Madrid?
– Em termos de responsabilidade e necessidade de estar no seu melhor em cada jogo, sim, mas também de ser o último jogador da linha defensiva, sem possibilidade de falha, com uma concentração tão grande… em vez de sofrer, durante a primeira época do Saragoça estive exausto física e mentalmente. Eu aproveitei ao máximo.
– Saída para o jogo da Copa. Você planeja vencer?
“Estaremos totalmente preparados, com muito entusiasmo e sabendo que este é o adversário mais difícil que poderíamos enfrentar, mas em um jogo tudo pode ser e ainda mais, em Belmont, com a torcida do nosso lado torcendo por nós, onde cada situação de gol será incrível.” Tudo acontecerá de forma eficiente.
-E Madrid chegará sem Xabi Alonso.
– Bem, sim, surpreendeu-me mesmo, embora num clube tão exigente como o Real Madrid, onde só a vitória é importante, é preciso estar preparado para qualquer novidade. Estou triste que Javi Alonso não continue sua carreira, mas estou feliz por Arbeloa.