janeiro 15, 2026
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Pequenos veículos autônomos navegam silenciosamente pelo Rio Guadaira e pelo Lago Mayor do Parque del Alamillo, seguindo rotas invisíveis calculadas com algoritmos de inteligência artificial para analisar a qualidade da água e a condição física desses ecossistemas com uma precisão até agora difícil. alcançar.

Por trás desta iniciativa está o grupo de investigação ACE-TI (Aplicação Cibernética da Eletrónica para as Tecnologias de Informação), vinculado à Escola Técnica Superior de Engenharia da Universidade de Sevilha. Seus pesquisadores desenvolveram uma frota de veículos autônomos de superfície capazes de realizar levantamentos hidrológicos, batimétricos e de qualidade da água sem intervenção humana direta.

No dia 12 de dezembro, dois desses protótipos foram implantados ao longo do trecho do rio Guadaira. O teste, realizado em colaboração com a Confederação Hidrográfica de Guadalquivir e a Câmara Municipal de Alcalá de Guadaira, enquadra-se no projecto MEDUSA (Monitorização de Riscos Ambientais com Veículos Terrestres Autónomos), financiado pelo governo andaluz. Objectivo: testar o desempenho destes sistemas num ambiente fluvial real.

Autonomia e dados contínuos

A principal diferença dos métodos tradicionais de análise de água é o grau de autonomia. Em comparação com campanhas convencionais, que requerem embarcações tripuladas e amostragem dedicada, estes drones aquáticos navegam de forma independente, seguindo trajetórias otimizadas. A IA não só planeia uma rota para melhor cobrir a área a ser explorada, mas também adapta a navegação às condições envolventes, permitindo uma recolha de dados mais contínua e uniforme.

Durante as missões, os veículos coletaram informações sobre parâmetros-chave como condutividade, turbidez, pH e temperatura da água. A partir desses dados, os sistemas criaram modelos completos alimentados por IA, capazes de detalhar a morfologia do fundo e a distribuição espacial das variáveis ​​que determinam a qualidade da água. De acordo com resultados preliminares, a área analisada de Guadaíra apresenta boas condições físicas e hidrológicas.

A versatilidade do parque também foi demonstrada no Lago Mayor, no Parque del Alamillo, onde foram testados drones com o apoio do Departamento de Desenvolvimento e da Câmara Municipal de Sevilha. Este segundo cenário permitiu que os veículos fossem testados em diferentes condições, confirmando a sua capacidade de adaptação a diferentes tipos de massas de água e condições de operação.

Além dos dados concretos obtidos, o projeto representa um avanço significativo no campo da robótica aquática aplicada à proteção ambiental. A capacidade de monitorar rios e lagos de forma autônoma reduz custos, minimiza riscos para os técnicos e reduz o impacto ambiental das campanhas de amostragem.

Outros ambientes ambientalmente sensíveis

O Grupo ACE-TI já está olhando para o futuro. Espera-se que esses drones possam ser utilizados em corpos d'água, estuários e outros ambientes ambientalmente sensíveis. Face às alterações climáticas e à crescente pressão sobre os recursos hídricos, dispor de informações precisas e quase em tempo real pode desempenhar um papel fundamental na orientação da resposta e na gestão verdadeiramente proativa.

Assim, a inteligência artificial aplicada ao cuidado da água torna-se uma aliada estratégica para proteger um dos bens mais valiosos e frágeis do território. Sevilha volta a ser um laboratório de inovação com impacto direto no desenvolvimento sustentável.

Referência