Eles trabalhavam nos campos em turnos 24 horas por dia, descansavam em quartos apertados com colchões no chão e cozinhavam e comiam em quartos completamente insalubres e sujos. Foi deste inferno que a Polícia Nacional resgatou 65 pessoas, na sua maioria provenientes da Índia e do Nepal, que trabalhavam em condições de semi-escravidão para uma empresa agrícola no município de Ulea, em Múrcia.
O proprietário da empresa e alegado líder desta conspiração de exploração laboral cumpre atualmente pena de prisão por outros crimes semelhantes cometidos em conjunto com outra empresa na província de Albacete. A polícia também prendeu mais cinco pessoas, três das quais foram colocadas em prisão preventiva pelos acontecimentos.
Os cidadãos libertados encontravam-se em situação ilegal em Espanha e os detidos aproveitaram esta situação de extrema vulnerabilidade para os explorar e obrigar a trabalhar em condições absolutamente desumanas, segundo fontes da investigação, que começou em Setembro passado em colaboração com a Inspecção do Trabalho e Segurança Social de Múrcia e a Operação EMPACT da Europol.
Segundo uma investigação policial, estes imigrantes ilegais foram explorados “em condições completamente perigosas e brutais”, forçados a trabalhar 24 horas por dia em diferentes turnos e “sujeitos a condições indignas e desumanas”.
Estas pessoas passavam todo o tempo numa zona agrícola do município de Ulea, uma localidade de apenas mil habitantes no Vale Ricote, no interior da região de Múrcia. Dentro das instalações agrícolas, foram montadas salas que a polícia descreveu como “insalubres”, nas quais os libertos descansavam, lavavam-se ou comiam juntos.
Fotos fornecidas pela polícia mostram que todo o piso dos quartos está ocupado por colchões, sobre os quais estão empilhados cobertores e pertences pessoais dos explorados, além de pequenos utensílios de cozinha em péssimo estado de sujeira.
Cinco pessoas detidas durante a operação são acusadas de crimes contra os direitos dos cidadãos estrangeiros, de facilitação da imigração ilegal e de pertença a uma organização criminosa.