O economista e político grego Yanis Varoufakis, que serviu como ministro da Economia da Grécia durante vários meses em 2015, foi convocado para testemunhar numa esquadra da polícia grega sob a acusação de “narcoterrorismo”, como ele próprio afirmou num vídeo nas redes sociais. O motivo da ligação foi a confissão do político de que há 36 anos, quando morava em Sydney (Austrália), certa vez experimentou ecstasy.
“Seria divertido se não fosse assustador”, escreveu o político, que lidera o grupo europeu de esquerda DIEM25 do seu país, que atualmente não tem representação parlamentar. Segundo ele, alguns policiais foram até sua casa para lhe intimar a comparecer à delegacia para tarefas antidrogas para explicar o que poderia ser considerado “cumplicidade com a máfia do tráfico”.
O extraordinário zelo das autoridades gregas deve-se à participação de um antigo ministro que, nos últimos anos, tem defendido que a actual fase do capitalismo ultrapassou a sua essência mercantilista e se transformou numa tecno-feudalismo– no podcast de vídeo local Phasma, onde lhe perguntaram se ela já havia experimentado drogas.
Lá ele disse que sim, e que além da maconha havia experimentado ecstasy em 1989, enquanto morava em Sydney. Mas então ele notou que depois de dançar sob o efeito da substância por 16 horas seguidas, passou uma semana com uma enxaqueca terrível que o fez nunca mais tentar.
“Esta foi a minha introdução para salientar que, por mais prazeroso que possa parecer o consumo de drogas, é preciso pagar um preço. E que o preço final é a dependência, a toxicodependência, “o fim da liberdade”, disse eu de forma decisiva”, afirma num vídeo publicado após a visita dos agentes. Segundo ele, foi obrigado a comparecer à delegacia para testemunhar “sob a acusação de ajudar a máfia do tráfico”.
O Ministro da Saúde ficou indignado
O acontecimento ocorreu após o atual ministro da Saúde grego, o conservador Adonis Georgiadis, publicar uma mensagem com trecho de uma entrevista criticando Varoufakis. “Há pessoas que morreram por causa de meio comprimido”, irritou-se numa mensagem na qual se dizia incomodado com “todos estes esquerdistas irresponsáveis que dizem a primeira coisa que lhe vem à cabeça”.
A queixa de Varoufakis terminava com a advertência: “Sério, em tempos de guerra, genocídio, exploração brutal, etc., o meu probleminha com a polícia grega não importa. Mas ela é importante. Aqui na Europa, muitas pessoas continuam a viver com a ilusão de que temos liberdade, racionalidade e autonomia. Os últimos vestígios de autonomia e liberdade que nos restam. Resistência é, literalmente, existência”.