janeiro 18, 2026
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O presidente paraguaio, Santiago Pena, recebe Ursula von der Leyen e António Costa antes da assinatura do tratado UE/MERCOSUL.

– SANTIAGO PENA/X

MADRI, 17 de janeiro (EUROPE PRESS) –

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, já estão em Assunção para estrelar ao lado do presidente paraguaio, Santiago Pena, o que o presidente chamou de “dia histórico” com a assinatura iminente do acordo UE/MERCOSUL, após décadas de negociações.

“Desde Assunção e sob a presidência temporária do MERCOSUL exercida pelo Paraguai, abro uma nova etapa em que o diálogo e a confiança constroem novamente uma ponte forte e duradoura entre as nossas regiões”, disse Peña nas redes sociais após a primeira recepção aos líderes europeus.

“Um dia que ficará marcado na história das nossas regiões”, disse Peña poucas horas antes do “momento tão esperado” e de “um encontro destinado a aprofundar o entendimento mútuo e a cooperação entre a Europa e o Mercosul”.

“Na mesma cidade”, acrescentou Costa no seu anúncio de chegada, “onde nasceu o MERCOSUL em 1991, hoje damos um passo fundamental para o desenvolvimento da maior zona de comércio livre do mundo: derrubar barreiras, criar prosperidade partilhada”.

Uma vez assinada, a parte comercial da competência exclusiva da UE pode entrar em vigor provisoriamente quando o primeiro país do Mercosul a ratificar, e isso sem esperar a aprovação do Parlamento Europeu, que ainda não tem data de votação e cujos grupos enfrentam o escrutínio do pacto divididos, mais atentos aos interesses nacionais do que às famílias políticas.

Em qualquer caso, as duras críticas do setor agroalimentar europeu e a ameaça dos eurodeputados de remeter o pacto para o Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), se o fizer, fizeram com que Bruxelas fosse cautelosa em esclarecer se está a considerar esta entrada provisória em vigor ou se irá aguardar a aprovação do Parlamento Europeu.

A reunião plenária do Parlamento Europeu pode aprovar ou cancelar o acordo na íntegra, mas não o alterar. Entretanto, o plenário da próxima semana inclui na ordem do dia duas resoluções – uma da extrema-direita e outra da esquerda radical – pedindo que a assinatura seja denunciada perante o TJUE.

O Acordo de Associação, por seu lado, poderia então entrar em vigor provisoriamente, mas a sua aplicação final também exigiria a aprovação de 27 países a nível nacional. Os acordos UE-Mercosul enfrentarão então outro desafio para a ratificação final, dado que a luz verde para assinatura foi dada com o apoio de 21 dos 27 países, com cinco países a votarem contra – França, Hungria, Polónia, Irlanda e Áustria – e a Bélgica a abster-se.

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