janeiro 18, 2026
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O promotor madrileno Moraval regressa a Sevilha com um projeto duplo: o seu primeiro complexo residencial em 25 anos dedicado a propriedades terciárias e alojamentos estudantis. Esta será a segunda etapa depois de Ramon Carande, onde construíram a maior da Europa – 1.127 leitos. Ambos os projetos estão localizados na fronteira entre Triana e Los Remedios, num dos últimos terrenos baldios da área mais densamente povoada da cidade. Esta mudança no modelo do grupo pretende amenizar a emergência nacional que o país atravessa devido à escassez de habitação.

Berta Guillamon, CEO da Moraval, que tem mais de uma década de experiência no setor, acredita que a solução ainda está muito longe. Não há sinais de que a situação possa mudar a curto ou médio prazo, uma vez que a construção não avança com rapidez suficiente e não há terreno disponível. Em entrevista à ABC, admite que “os preços ainda estão muito, muito longe de descer”.

– Embora Moraval tenha dado o salto para o mercado imobiliário, ela não abandona o negócio de alojamento estudantil.

– Somos especializados e sabemos fazer muito bem. Ainda existe uma grande necessidade deste tipo de activos em Espanha e os que estamos a trazer para o mercado são muito avançados tecnologicamente e satisfazem todas as necessidades dos estudantes. O que fizemos com o desenvolvimento de Los Remedios foi cobrir a última fase que vinha para Moraval, porque construímos escritórios, supermercados, hotéis, residências de estudantes, e essa fase permaneceu. Está prevista a continuidade da construção de novas moradias.

– Têm outros planos para Sevilha e para o resto da Andaluzia.

– Não temos mais em Sevilha, mas continuamos a analisar todas as possibilidades. Estamos presentes em toda a Espanha e, em última análise, não nos concentramos em nenhum território. Neste momento temos um projeto em Sevilha e um projeto em Málaga, na Torre del Rio. Este é o “estilo de vida flexível” para os nômades digitais. Verificamos que há muita procura e quem vem não encontra opções por causa dos preços ou porque não tem contratos de curto prazo. Estamos a construir um edifício semelhante a um apart-hotel, com todos os serviços. Este é um modelo muito novo, mas que está se espalhando rapidamente por todo o nosso país.

– Você acha que há lugar para esse tipo de ativo em Sevilha?

– A procura no caso de Málaga é muito óbvia, mas em Sevilha começa a crescer pouco a pouco. Vamos ver o que o futuro nos reserva.

– O que estamos vendo na cidade em ritmo acelerado é o número de dormitórios estudantis. Este negócio atingiu o seu pico?

– Eu diria que ainda há muitas vagas nos dormitórios estudantis em Sevilha. Para Sevilha e outras cidades universitárias. As novas residências nada têm em comum com os hostels que conhecíamos na nossa época. Esse modelo está ultrapassado e até os estudantes preferiam morar no mesmo apartamento, mas agora você oferece todos os tipos de serviços utilizando tecnologia de ponta. Isso atende plenamente às expectativas dos alunos.

– O que mudou para que haja uma procura tão grande de estudantes que procuram um lugar para morar?

– Existem vários motivos. Por um lado, o conjunto da população estudantil tem crescido, tem vindo a crescer todos estes anos, aliás no ano passado foi de 4%, que é a percentagem mais elevada da última década, e não só a base de estudantes está a crescer, como também a mobilidade. Isso se deve em grande parte às notas de aprovação, que são cada vez mais exigentes e os jovens não ficam satisfeitos com isso, preferem mudar-se para outro local para estudar uma especialidade que não gostam. Outro parâmetro é o grande número de estudantes estrangeiros cursando tanto a graduação quanto a pós-graduação. Estimamos que aproximadamente 40% dos estudantes universitários precisam de moradia. Esses volumes nunca foram alcançados.

“40% dos estudantes universitários precisam de habitação porque não estão nas suas cidades de origem. “Estes volumes nunca foram alcançados.”

“Portanto, este é um negócio que continuará a crescer.”

– Sem dúvida. Ainda há muito espaço para o crescimento dos estudantes em Sevilha, uma vez que às universidades públicas, das quais existem duas, juntaram-se novas universidades privadas que também estão a expandir as suas ofertas de graduação. E a tudo isto há que acrescentar os preços da habitação, que continuam a subir e a reduzir a oferta deste tipo de inquilinos.

– Existem novos projetos na Andaluzia no seu portfólio?

– Temos uma nova residência em Sevilha, que será em Los Remedios, vamos abrir uma em Málaga e outra em Madrid. Nós realmente planejamos com um ano de antecedência; não gostamos de apressar nada, porque aí há muitos atrasos.

– Em Sevilha foi também um marco na construção da maior residência da Europa com mais de 1000 camas.

-Nós construímos e rodamos por um tempo. Esses novos que estamos construindo são extremamente automatizados e tecnologicamente avançados. Vão instalar inteligência artificial e todo tipo de medidas nos quartos para ajudar no bem-estar dos moradores.

– Há muitas residências que servem, talvez, como hotéis de verão, como albergues. Será o fim deste tipo de ativo?

– São ativos muito flexíveis, capazes de prestar serviços tanto para estadias de longa duração como de curta e média duração.

Referência