A implementação da Lei sobre a Eficiência da Justiça começou em Castela-La Mancha com mais incógnitas do que certezas. Após sua entrada em vigor em 1º de janeiro A reforma criou desequilíbrios organizacionaistraduções de funcionários sem possibilidade de adaptação … e sinalização institucional que não só não explica o novo modelo, mas também aumenta a confusão entre os cidadãos. Isto é reconhecido pela presidente do Supremo Tribunal de Castela-La Mancha, Pilar Astray, que admite à ABC que a aplicação da lei tem sido “casual”.
Astray enfatiza que embora a norma já tenha se tornado realidade, sua implementação ocorreu sem o tempo necessário para uma transição ordenada. “Iniciámos a implementação e, de facto, já está em curso, mas muitos ajustes precisam ser feitos“, explica o presidente do tribunal superior.
O presidente do TSJCM considera também que “é prematuro fazer uma avaliação global”, mas não esconde as dificuldades iniciais. Uma das principais fontes de tensão foi a reestruturação das relações laborais (RPT), que forçou muitos funcionários a mudar seus propósitos e funções. “Muitos foram transferidos para outros cargos em que não tinham experiência, tiveram que mudar de emprego, de equipamentos e de instalações”, esclarece.
Este processo, acrescenta, significou “uma espécie de regresso ao ponto de partida”. “Foi como virar uma meia do avesso”, resume graficamente, referindo-se ao reestruturação que afetou as operações diárias tribunais e serviços gerais.
Soma-se a isso a falta de pessoal em áreas-chave. Astraeus refere-se diretamente ao serviço geral geral de Albacete, “que tem falta de pessoal e terá agora, além disso, de assumir mais funções”. Ele também cita os tribunais de investigação de Illescas, na província de Toledo, onde “os juízes relatam algum atraso nas investigações criminais, o que pode exigir grandes recursos”.
Uma das críticas mais flagrantes do Presidente do TSJCM prende-se com a falta de comunicação durante o desenvolvimento e implementação do novo modelo. “A organização do trabalho do tribunal depende do ministério; participaram advogados do Ministério da Justiça, mas Os juízes não entenderam que contavam com eles“, afirma.
Na sua opinião, este processo exigiria “mais informação, mais coordenação e mais comunicação”, especialmente dada a profundidade da mudança organizacional e a sua escala. impacto direto no trabalho diário do judiciário.
Astray explica que o problema está enraizado na própria aplicação da lei. “Ao reformular o projeto, não foram alteradas as disposições transitórias e as datas de entrada em vigor”, salienta. Isto levou a uma redução acentuada do prazo inicialmente previsto para uma implementação mais gradual. “Sem alterar as datas, tudo ficou mais corrido.”ele insiste.
Problema comum
A situação em Castela-La Mancha não é excepcional. Astray confirma que os problemas se repetiram na maioria das comunidades autónomas onde a lei já entrou em vigor. “Em maior ou menor grau somos todos iguais”– ele declara.
Ele disse que comunidades como Madrid experimentaram um “verdadeiro caos”. “Rotação de funcionários e adaptação a novos recursos “Esta não é uma questão apenas de área, afeta todas as comunidades”, enfatiza.
Olhando para 2026, a mensagem do Presidente do Tribunal Superior de Castela-La Mancha é de advertência. “Estamos tentando resolver esse problema testando se algumas peças do quebra-cabeça se encaixam para que o sistema pode começar a funcionar” explica.
Só assim, acrescenta, será possível avaliar com rigor o funcionamento da nova estrutura organizacional. Mas isto, alerta ele, exige um compromisso claro do ministério. “Esperamos que contribuições suficientes sejam recebidas e expansão da oficina judicial atende necessidades reais”, finaliza.