janeiro 19, 2026
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A antecipação, o cansaço e a incerteza acumularam-se no terminal ferroviário de chegadas de Madrid. Aqueles que na altura esperavam chegar ao seu destino ficaram presos na estação de Atocha, sem conseguirem chegar a Málaga. ou para Córdoba e não há como pernoitar. Sem trem e sem hotel. Isto deixou centenas de viajantes “presos” em Atocha e forçados a improvisar itinerários a preços que muitos chamam de “fraude”. Outros, por outro lado, preferiram aturar algumas alternativas gratuitas incluídas de última hora.

Por volta das 23:00. — três horas depois da queda de dois trens de alta velocidade em Adamuz — os viajantes faziam filas caóticas em cada guichê de aluguel de automóveis. Muitas pessoas tentaram primeiro uma empresa e, quando os suprimentos acabaram, tentaram novamente com outra.

Foi o caso de uma família argentina que procurava desesperadamente uma forma de chegar a Málaga. Eles tinham um vôo cedo para Roma no dia seguinte, e cada minuto contava. Em meio ao cansaço e à incerteza, chegou uma notificação: não há mais carros grátis nos escritórios, mas novas oportunidades se abrem no estacionamento nº 3. “Vamos, vamos correr”. A decisão foi imediata. A família correu, aproveitando a última chance de não perder a próxima etapa da jornada.

Outros, no entanto, escolheram modos de viagem mais baratos e mais rápidos. Há poucas horas, quando foram notificados da suspensão da viagem, consultaram sites de aluguel de automóveis. “Os preços rondavam os 30 euros. Agora são 300: isto é fraude”, disse uma das vítimas. Porém, agindo por necessidade, esse viajante encontrou outros passageiros para dividir o carro: “Ajudamos uns aos outros para ver se conseguimos dividir o custo”.

Nem todos os candidatos ao veículo tiveram sorte. Nos corredores de Atocha, ouviam-se pessoas gritando, oferecendo-se para compartilhar carros, até mesmo para uma viagem de Uber até a Andaluzia: “Não sabemos se seremos indenizados, mas temos que sair… não temos escolha”.

Enquanto isso, a delegacia se enchia de reforços policiais e de funcionários da própria Renfe. Nas últimas horas, foi criado um comité de crise para gerir o incidente ferroviário e coordenar a assistência aos viajantes afetados. Pelo menos a Polícia Nacional participa neste comité, que é responsável pela organização, controlo de acessos e segurança no local.

Paralelamente, segundo a companhia ferroviária, foram criadas duas salas de atendimento distintas: uma para a Renfe, outra para a Iryo, destinadas exclusivamente aos familiares das vítimas. Como explicaram os presentes, estes espaços oferecem informação atualizada, apoio e assistência psicológica a quem aguarda notícias em condições de particular desgaste emocional.

Além disso, para os viajantes que permaneceram no terreno sem oportunidade de continuar a viagem, foi equipado um quarto para pernoitar. Este espaço temporário começou a ficar muito pequeno. “Não vejo como vamos nos encaixar. “Somos muitos”, comentou uma das vítimas, que decidiu passar a noite na própria delegacia.

Uma vez na sala, ele contou à ABC como era, com poucos assentos. Claro, há “muita bebida”, embora a única comida seja um pouco de pipoca e “quatro cupcakes mal contados”. Porém, depois de algumas horas, a Renfe se ofereceu para levá-los ao destino de ônibus. Estas jovens, tendo acabado de passar num concurso, seguiram o caminho mais rápido. “Acabamos entrando no ônibus, estamos cansados.”

Referência