janeiro 21, 2026
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O euro começou a semana com uma alta de mais de 0,4% em relação ao dólar americano, elevando-o acima de US$ 1,16 e marcando a sessão mais otimista de 2026. A reação do mercado segue um cenário dominado pela incerteza geopolítica e pelo medo de endurecer a política comercial dos EUA.

A recuperação da moeda comunitária é apoiada pela mudança de sentimento entre os investidores, que reduziram a sua exposição a activos de risco e optaram por moedas consideradas portos seguros. Este comportamento é apoiado pela fraqueza do dólar americano, que está sob pressão de factores políticos e de expectativas de política monetária.

Graças a este crescimento, o euro consegue sair da zona mínima do ano, situada em torno de 1.159 dólares. A evolução não foi isolada: outras moedas de refúgio, como o franco suíço, também registaram ganhos significativos, reflectindo uma procura geral de estabilidade no mercado cambial.

Tensões comerciais e impacto direto no mercado cambial

O principal catalisador do movimento foram as crescentes tensões entre os Estados Unidos e a União Europeia. As ameaças de novas tarifas e uma possível retaliação europeia reacenderam os receios de um conflito comercial mais amplo que teria um impacto directo no dólar.

Neste contexto, a União Europeia rediscutiu a utilização do mecanismo anticoerção, um instrumento concebido para responder à pressão económica externa. Este instrumento poderá afetar os interesses de grandes empresas tecnológicas americanas – cenário que os mercados interpretam como negativo para a moeda norte-americana.

O papel dos investidores institucionais

Algumas empresas de análise dizem que a escalada do conflito poderá levar os governos europeus e os grandes investidores institucionais a reduzirem a sua exposição a activos em dólares. Este ajustamento da carteira proporcionará um apoio adicional ao euro no médio prazo.

As instituições financeiras internacionais alertam que este tipo de movimentos tendem a ter consequências a longo prazo, especialmente se as alterações nos fluxos de capitais entre os dois lados do Atlântico se consolidarem.

Expectativas macroeconómicas e política monetária

Além da componente geopolítica, o mercado continua muito atento à evolução da política monetária nos Estados Unidos. Espera-se que a Reserva Federal possa retomar os cortes nas taxas nos próximos meses, um desenvolvimento que tradicionalmente exerce pressão descendente sobre o dólar.

Em contraste, o ciclo de flexibilização monetária da zona euro está numa fase mais avançada. O Banco Central Europeu deu sinais de estabilidade, reduzindo a margem para novos cortes nas taxas e proporcionando apoio à moeda única.

Dados Econômicos no Radar

Nos próximos dias, os investidores estarão atentos aos principais indicadores, como o deflator de consumo PCE dos EUA e as revisões do crescimento económico. Embora a economia dos EUA continue a mostrar sinais de força, o mercado acredita que este factor já está amplamente incluído na taxa de câmbio.

O equilíbrio entre dados macroeconómicos robustos e uma política monetária mais flexível é um elemento que explica a perda de atractividade do dólar face às principais moedas do G-10.

Previsões da taxa de câmbio do euro para o dólar para 2026 e 2027

Apesar do forte movimento nas últimas sessões, o consenso do mercado não registou quaisquer alterações significativas nas suas perspectivas de longo prazo. A Bloomberg estima que o euro poderá continuar a fortalecer-se gradualmente até 2026.

O preço de passagem deverá rondar os 1,20 dólares por euro até ao final do ano, o que implica um aumento adicional de quase 3,5% em relação aos níveis actuais. Em 2027, alguns cenários apontam mesmo para um aumento para 1,21 dólares.

Este cenário é apoiado pela expectativa de maior fraqueza estrutural do dólar, impulsionada tanto pela política monetária como pela incerteza política e comercial em torno dos Estados Unidos.

Neste contexto, o euro consolida-se como uma das principais alternativas para os investidores que procuram estabilidade num ambiente global caracterizado pela volatilidade e por renovadas tensões comerciais internacionais.

Referência