janeiro 22, 2026
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A Procuradoria Anticorrupção já teve como alvo Francisco Granados, ex-vereador da Comunidade de Madrid, no julgamento que o Tribunal Nacional realiza desde segunda-feira passada numa das linhas de investigação do caso Caso púnico. Em suas primeiras entrevistas na quarta-feira com ex-funcionários da Waiter Music do falecido José Luis Huerta, a agência perguntou-lhes sobre a relação de seu ex-chefe com um ex-político acusado de participar de um golpe de contrato governamental em troca de indenização do empresário. “Um dia levei presentes à Puerta del Sol, ao escritório do senhor Granados”, disse o funcionário.

“Não sei se eram para Granados. Mas deixei-os no escritório dele e eram vários. Isso foi por volta de 2005 ou 2006”, disse a testemunha. Então o advogado do ex-assessor perguntou-lhe: “Você sabe se eles foram devolvidos?” “Não sei. Ele me disse: 'Deixe no escritório de Granados'”, lembrou o ex-funcionário, que lembrou que Huerta lhe disse em outra ocasião que iria “pedir ajuda” a Granados porque não estavam vendendo ingressos suficientes para um show.

Esta quarta-feira o Tribunal Nacional retomou o julgamento ao abrigo da Parte 7 Caso púnicoque se centra em como Huerta, que mantinha uma “amizade” com o então secretário-geral do PP de Madrid e conselheiro de Esperanza Aguirre, espalhou os seus tentáculos pelas administrações populares para obter contratos para a organização de celebrações, permitindo-lhe embolsar milhões de somas. Esta audiência oral, que começou na segunda-feira passada com uma fase de questões preliminares, é a quinta no caso de conspiração por corrupção e a segunda com Granados no banco dos réus (já foi condenado a dois anos de prisão em 2017 por ter recebido informações da guarda civil sobre a investigação).

Os promotores alegam que o ex-político do Partido Popular “apresentou” o empresário a diversas câmaras municipais, incluindo Valdemoro (onde foi prefeito até 2003) e Ciempozuelos; além de aproveitar sua “posição de predomínio e superioridade” no governo Aguirre para “dar preferência” a outros “contratos que dependiam da Comunidade”. Em troca, Huerta supostamente deu presentes a funcionários do governo e cobriu as despesas de seus partidos e do Partido Conservador.

— Que tipo de relação uniu Huertas e Granados? perguntou o promotor a Miguel Angel Sanchez, ex-funcionário da Waiter Music que organizou os eventos.

“Amizade”, disse a testemunha.

— Você dava festas para ele?

-Sim.

— Você pagou a eles?

-Não sei. Eu dei a ele as despesas. Não sei se ele faturou ou não, se entregou ou não.

O ex-funcionário de Huertas acrescentou que seu ex-chefe fez amizade com os ex-vereadores populares José Miguel Moreno e José Carlos Bosa, que sucederam Granados como prefeito de Valdemoro quando ele saltou para a Comunidade. A testemunha sublinhou que também organizaram eventos para a formação conservadora, que chegou a levar um projeto de lei à sede regional do PP, e do partido de apoio a Granados. Em seguida, o advogado do ex-político, Javier Vasallo, tentou semear dúvidas sobre o possível tratamento favorável ao seu cliente: “Você discutiu com Granados alguma circunstância relacionada à comemoração de seu aniversário?” – perguntou ele à testemunha. “Nunca”, enfatizou o ex-funcionário da Waiter Music.

— Foi uma festa surpresa para ele? – continuou o advogado.

-Não sei.

— Quem lhe deu instruções para comprar 21 camisas do Atlético?

“Não comprei nada, meu chefe me disse que comprou 21 camisetas e colocou lá”, disse o ex-funcionário, que insistiu não saber se Granados interveio em nome do falecido José Luis Huerta.

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