janeiro 22, 2026
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“A mamografia é hoje o nosso superpoder. Ela nos permite ver o invisível. Ela pode detectar lesões dois anos antes que uma mulher ou seu médico possam senti-las”, resume o Dr. José Manuel Felices, médico radiologista que promove a conta @doctorfelices e publica este mês Raio X de uma vida saudável. “Gosto de explicar desta forma: o câncer de mama não aparece de repente, como um cogumelo depois da chuva, começa em tamanhos microscópicos. A mamografia permite detectar um intruso enquanto ele ainda toca a campainha, antes que ele invada a casa e cause danos”, descreve.

A mamografia é o método mais eficaz no combate ao câncer de mama porque, conforme explica o médico, atinge uma taxa de cura de 95% devido à detecção precoce. Mas quando devemos começar a nos preocupar em realizar tais revisões?

Embora os programas de saúde pública em Espanha marquem normalmente os 50 anos como a idade recomendada para iniciar o tratamento, “as sociedades científicas e radiológicas (como a SERAM) insistem cada vez mais em adiar esta primeira consulta para os 40 ou 45 anos, o que já está a ser implementado em algumas comunidades”, explica Felices, que sublinha a importância de não esperar que os sintomas apareçam.

Diferenças por Comunidades Autônomas

“Infelizmente, o código postal afeta mais a saúde do que você gostaria. Embora o ministério estabeleça algumas diretrizes (50-69 anos), cada município tem o direito de ampliar essa faixa”, admite o médico. “Devo voltar para casa e dizer com orgulho que na região de Múrcia fomos pioneiros na expansão do rastreio: aqui começámos a telefonar às mulheres aos 45 anos e continuamos até aos 74 anos. Isto é um enorme progresso, porque o cancro não compreende as pensões e as fronteiras regionais. Espero que em breve vejamos uma verdadeira homogeneização em toda a Espanha, para que todas as mulheres tenham as mesmas oportunidades de detecção precoce, quer vivam em Múrcia, na Galiza ou na Andaluzia”, afirma.

Casos de risco

Porém, nem todas as mulheres precisam seguir o mesmo cronograma. Caso haja histórico familiar direto de mãe ou irmã com câncer de mama, a especialista esclarece que se aplica a regra dos 10 anos: “Se sua mãe foi diagnosticada aos 45, você deve começar a se cuidar aos 35”. Também progride em casos de mutações genéticas específicas ou se o paciente já recebeu radioterapia torácica por outro motivo. “Nesses casos, o calendário é definido pela sua genética”, diz o Dr.

Público ou privado

Se você não tem nenhum desses históricos de risco ou apresenta sintomas, o exame de saúde estadual não permite que você solicite a mamografia até atingir a idade estabelecida em cada comunidade autônoma. “O sistema prioriza o risco populacional”, afirma o radiologista.

“Na saúde privada, o manejo é diferente: a mulher pode ir ao ginecologista aos 40 anos e, se ambos considerarem adequado, passar a fazer mamografia anualmente ou a cada dois anos”, explica. “Essa é uma opção que muitas mulheres escolhem para ficarem tranquilas, desde que acompanhadas por um profissional”, avalia.

No sistema público, as mamografias são realizadas a cada dois anos. “Este intervalo não é arbitrário; baseia-se no tempo médio que leva para um tumor crescer o suficiente para ser visível sem se tornar perigoso”, disse o médico.



Referência