janeiro 22, 2026
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Polícia Judiciária Portuguesa liquidou uma organização neonazista com uma estrutura paramilitar supostamente envolvida em crimes relacionados com incitação ao ódio racial, ameaças, coação e posse de armas proibidas. Operação concluída com prisão de 37 pessoas, conforme confirmado por fontes oficiais.

O diretor da Unidade Nacional Antiterrorismo (UNCT), responsável pela operação, explicou que a operação envolveu cerca de 300 militares que realizaram 67 buscas e 37 detenções, cinco delas mulheres. “Trata-se de um grupo organizado, hierárquico e com um forte sentido de pertença, cujo objetivo é cometer crimes de ódio, incitar ao ódio e à violência”, afirmou Patrícia Silveira.

A intervenção policial teve caráter preventivo. Segundo a Polícia Judiciária, o objetivo era prevenir atos violentos que o grupo alegadamente planeava contra minorias, especialmente contra a comunidade muçulmana residente em Portugal.

O diretor nacional do PS, Luis Neves, explicou que se trata de uma “organização estruturada, com hierarquia clara, formação e capacidade logística” e sublinhou que as ações foram tomadas para “evitar danos irreversíveis como incêndios habitacionais, ataques graves ou mesmo mortes”. Segundo ele, a operação foi realizada “antes que as intenções se transformassem em ações concretas”.

Personalidade do Líder

O líder do grupo é Mário Machado, figura proeminente do movimento neonazi português, que se encontra atualmente na prisão a cumprir pena por crimes anteriores relacionados com ódio racial e violência. Segundo os investigadores, Machado continuaria a exercer liderança e influência enquanto estava na prisão, utilizando canais indiretos para espalhar slogans ideológicos e direcionar as ações de seus seguidores.

Entre as directivas atribuídas ao líder neonazi está um incentivo explícito aos membros do grupo para se juntarem às fileiras do partido Chega, formação de direita radical com representação parlamentar. Esta estratégia, segundo os investigadores, pretendia facilitar a penetração do extremismo nas estruturas políticas legais e ganhar legitimidade institucional.

Entre os detidos estão três militantes do Chegi, bem como um policial e um militar em serviço. A Polícia Judiciária confirmou que todos os detidos estão a ser investigados por suspeita de participação em incitamento ao ódio, conspiração para prática de atos violentos e filiação em organização criminosa. Durante as buscas foram apreendidas armas proibidas, munições, documentação ideológica de cunho neonazista e materiais relacionados ao treinamento paramilitar.

Advogado de vários detidos Maisa Consentino, Ele negou as acusações e disse que se tratava apenas de um “grupo de convivência sem qualquer violência”. À saída do Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa, onde os suspeitos começaram a comparecer perante um juiz, disse que as ações sob investigação fazem parte da liberdade de expressão. “Sou mulher e sou brasileira. “Se este fosse um grupo que promovesse verdadeiramente o ódio contra os imigrantes, não estaria aqui”, afirmou. A advogada acrescentou que conhece Mário Machado “há bastante tempo” e garantiu que ele defende um Portugal “seguro e digno”.

Guerra racial e ações contra muçulmanos

A história de Machado inclui seu envolvimento em episódios de violência racial. Na década de 1990, foi suspeito da investigação do homicídio de Alcindo Monteiro, um jovem de 27 anos que morreu em Lisboa depois de ter sido agredido por um grupo de skinheads num crime que chocou o país. Posteriormente, ele foi considerado culpado de outros crimes relacionados à discriminação racial, agressão e porte de armas.

Segundo a Polícia Judiciária, o grupo neonazi 1143 não só declarou internamente os preparativos para uma “guerra racial”, mas também planeou ações públicas provocativas dirigidas especificamente contra a comunidade muçulmana. Estas incluíram a exibição de faixas com mensagens ofensivas e a distribuição de vídeos ridicularizando o Profeta Maomé, a fim de provocar reações violentas e criar uma atmosfera de confronto social.

A operação policial surge dias depois das eleições presidenciais em que o líder do Chega, André Ventura, foi o segundo candidato mais votado e avançou para a segunda volta, no dia 8 de fevereiro, contra o socialista José Seguro.

Referência