A Associação do Serviço Exterior do México (ASEM) exigiu esta quinta-feira que o Ministério das Relações Exteriores (SRE) assuma a responsabilidade “responsável” pelo assédio no local de trabalho. A declaração do sindicato ocorreu dias depois de o Ministério das Relações Exteriores ter recebido pelo menos 16 queixas sobre o mesmo assunto contra a ex-embaixadora do México no Reino Unido, Josefa Gonzalez-Blanco. “Omitir ou minimizar tal comportamento enfraquece a coesão da equipe, afeta a eficácia das missões e prejudica o prestígio do SEM (Serviço de Relações Exteriores Mexicano)”, afirmou a organização em sua carta, que não mencionou diretamente Gonzalez-Blanco.
A presidente Claudia Sheinbaum disse na quarta-feira que atualmente não há investigações específicas sobre o ex-funcionário, que será sucedido pelo ex-procurador-geral Alejandro Hertz Manero. “Suas ações foram revistas e nenhuma investigação está sendo realizada sobre as denúncias feitas”, disse ele. Sheinbaum esclareceu ainda que as denúncias contra Gonzalez-Blanco foram apresentadas durante o mandato de seis anos de Andrés Manuel López Obrador (2018-2024), que a nomeou para este cargo, mas, esclareceu, “foram analisadas e não contribuíram”. O Presidente sublinhou que Gonzalez-Blanco “desempenhou um bom papel” no Reino Unido.
A investigação, publicada por este jornal, inclui denúncias de trabalhadores diplomáticos que acusam Gonzalez-Blanco de assédio no local de trabalho, má gestão de recursos e ruptura de relações bilaterais. Pelo menos 40 funcionários deixaram a embaixada desde 2021 entre demissões e transferências para outras missões, deixando a delegação com menos de metade do pessoal restante.
A ASEM reitera que o assédio no local de trabalho e os maus-tratos de pessoal subordinado são práticas inaceitáveis e contrárias ao Código de Conduta para Funcionários do Governo da SRE, bem como aos princípios que regem o Serviço Exterior Mexicano. pic.twitter.com/hmr4tKOMbv
-ASEM (@ASEM_SRE) 22 de janeiro de 2026
A ASEM confirmou na sua carta que o assédio no local de trabalho e os maus tratos ao pessoal “são uma prática inaceitável e contrária ao Código de Conduta do Ministério dos Negócios Estrangeiros” e observou que estas obrigações “assumem particular relevância no caso dos chefes de missão”. E acrescenta: “O papel (seu) não é apenas representar o Estado mexicano, mas também garantir um ambiente de trabalho respeitoso, profissional e de apoio”.
Ex-funcionários do Itamaraty disseram ao EL PAÍS que é muito difícil responsabilizar funcionários cujas nomeações dependem de uma decisão política. “Quando têm acesso ao Palácio Nacional, têm total liberdade de ação. O diretor-geral, que seria o seu chefe, o vice-ministro ou mesmo o próprio chanceler, dependendo do nível desses personagens, não tem poder suficiente para controlá-los. Eles não têm responsabilidade e sentem-se intocáveis, porque em grande parte o são”, disse um ex-diretor diplomático que desejou manter o anonimato. A ASEM também pediu ao Ministério dos Negócios Estrangeiros que assumisse o comando “e, se necessário, determinasse a responsabilidade”.