Não é um acto de defesa que um homem com poder simbólico, económico e mediático, Julio Iglesias, publique os alegados nomes de mulheres que denunciaram o seu abuso sexual e exploração laboral. O cantor afirma que está fazendo isso para demonstrar a falsidade das acusações feitas contra ele, e está fazendo isso depois que o pedido de seu advogado para comparecer a uma audiência pública pré-julgamento foi rejeitado. O seu advogado pretendia interrogar os requerentes, ignorando o facto de tal comparecimento ser juridicamente impossível numa fase do processo que ainda não foi investigada ou decidida, mas apenas analisou se os factos relatados fornecem provas suficientes de um crime. Para Julio Iglesias, não existe indefesa pelo facto de as leis espanholas serem respeitadas, existe apenas a aplicação estrita do mesmo tratamento que qualquer cidadão recebe na mesma situação processual.
Ao publicar algumas supostas mensagens enviadas pelos seus ex-funcionários, que nomeia como denunciantes, sem sequer ter acesso à gravação, o cantor não só decide não cumprir os prazos estabelecidos pela lei processual, como também ignora as medidas de proteção tomadas pelo Ministério Público às mulheres vítimas, em especial as que visam preservar a sua identidade, para evitar exatamente o que causou, sem que o seu histórico, as suas intenções e a sua credibilidade sejam questionadas.