A Promotoria do Tribunal Nacional decidiu arquivar a denúncia apresentada contra Julio Iglesias por supostos crimes de violência sexual e tráfico de pessoas para fins de trabalho forçado. Motivo: os fatos teriam ocorrido fora da Espanha e sem ligação territorial ou pessoal com o país.
A denúncia, apresentada pela organização não governamental Women's Link em nome de duas ex-funcionárias da artista, alega supostos abusos cometidos na República Dominicana e nas Bahamas. De acordo com o despacho de arquivo, nem os requerentes nem os arguidos têm domicílio em Espanha e os factos não ocorreram em território espanhol. Também não há provas de que tenha sido feito qualquer pedido de extradição contra os indivíduos envolvidos ou de que as autoridades dos países envolvidos tenham renunciado à sua jurisdição.
O decreto, assinado pela Procuradora-Adjunta Marta Durantes, sublinha que a lei espanhola não permite o exercício da autoridade neste caso. Refere-se à doutrina do Supremo Tribunal, que estabelece que o princípio da personalidade, segundo o qual um espanhol pode ser julgado por crimes cometidos no estrangeiro, só se aplica de forma muito restritiva e em casos excepcionais. “Não basta que o investigado seja espanhol”, afirma.
A Women's Link classificou a decisão como “lamentável” e disse que buscaria “todas as vias legais disponíveis” para investigar os fatos. Eles asseguram que os requerentes não aceitarão “tecnicalidade jurídica” como razão para não processarem as suas provas. Acrescentam que a decisão foi tomada sem resposta do Ministério Público a três pedidos adicionais apresentados pela organização.
Embora o caso esteja localizado na Espanha, o caso pode continuar em outras jurisdições. Os requerentes, protegidos como testemunhas, manifestaram a sua disponibilidade para continuar a luta pela justiça. A imagem de Julio Iglesias, um dos artistas mais internacionais do país, é mais uma vez manchada por uma denúncia que não será investigada, pelo menos em Espanha.