janeiro 25, 2026
policia-redes-trata-ksdB-1024x512@diario_abc.jpg

A Polícia Nacional de Palma libertou 15 mulheres vítimas de exploração sexual que foram forçadas à prostituição em condições de escravatura por uma organização criminosa, maioritariamente de origem asiática, que foi desmantelada após uma extensa investigação iniciada em Abril de 2025.

A operação resultou na detenção de 14 pessoas, doze nas Ilhas Baleares e duas em Barcelona, ​​das quais sete foram colocadas em prisão temporária. Além disso, foram realizadas dez invasões e buscas e foi ordenado o encerramento de três bordéis subterrâneos em Palma.

A investigação começou após a recepção de uma notificação anónima por e-mail para attra@policia.es do Serviço de Vítimas de Tráfico de Pessoas, que denunciava a presença de mulheres de origem asiática detidas em apartamentos de senhorias e sujeitas a exploração e abuso sexual. No entanto, uma das vítimas conseguiu fugir e dirigir-se à esquadra e o seu depoimento teve um papel decisivo na intensificação da investigação.

Durante a investigação, os agentes identificaram ligações a uma operação policial realizada em 2024 que já tinha desmantelado parcialmente uma rede de tráfico de mulheres de origem chinesa em bordéis clandestinos de Palma. Em particular, o proprietário de uma destas instalações passou a ser um dos principais instigadores, o que permitiu a liquidação total da rede.

Falsas ofertas de emprego e dívidas forçadas

As vítimas foram recrutadas através de publicidade nas redes sociais, enganadas por supostas ofertas de trabalho como massagistas terapêuticos, cozinheiros ou cuidadores com salários a rondar os 2.000 euros mensais. Alguns já estavam na península, enquanto outros viajaram da China para Espanha.

A organização assumiu os custos da transferência, criando uma dívida económica que as mulheres foram forçadas a pagar através do envolvimento na prostituição.

Prostituição e violência constantes

Em Maiorca, as vítimas eram transferidas para bordéis onde permaneciam disponíveis 24 horas por dia, sete dias por semana, sem liberdade de circulação nem possibilidade de recusar clientes. Alguns relataram ataques físicos e sexuais, bem como terem sido forçados a prestar serviços domiciliários, por vezes sem preservativos, pelos quais a organização cobrou taxas adicionais.

Todos os lucros foram totalmente entregues à rede. As mulheres recebiam apenas parte dos benefícios após subtrair as despesas de subsistência e manutenção.

A organização também ofereceu legalização administrativa através de casamentos falsos e posteriormente utilizou as identidades das vítimas para abrir contas bancárias, contratos de fornecimento ou linhas telefónicas para esconder os verdadeiros responsáveis ​​pelo negócio.

Drogas, armas e altos lucros

Os membros da rede também lucraram com a venda de estimulantes sexuais e narcóticos aos clientes. Num dos bordéis investigados, os lucros do ano atingiram 1,2 milhões de euros.

Durante as buscas foram apreendidos 190 mil euros em dinheiro, cinco automóveis de gama alta, armas brancas e proibidas, joias, relógios, telemóveis, terminais de pagamento eletrónico associados ao negócio fictício, bem como extensa documentação. Da mesma forma, foi confirmado que dinheiro foi enviado para a China após ser convertido em yuans como parte de um esquema de lavagem de dinheiro.

A operação faz parte do Plano de Combate ao Tráfico Sexual da Polícia Nacional. A força lembra que a cooperação cidadã é fundamental e pode ser feita de forma anônima e confidencial, ligando para 900 10 50 90 ou enviando um email para ventas@policia.es.

Referência