O secretário-geral do Partido Popular, Miguel Tellado, acusou este domingo o ministro dos Transportes, Oscar Puente, e o presidente do Governo, Pedro Sánchez, de “mentirem em resultado da ação dos primeiros e da inação dos segundos” sobre as causas do acidente do comboio Adamuz. … Como resultado, 45 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas.
Em conferência de imprensa esta manhã, após a publicação das últimas notícias do acidente e da entrevista do ministro dos Transportes ao jornal El País, Tellado falou da “perda de confiança” dos espanhóis na rede ferroviária e Rodalies na Catalunha.
“Até agora, sabíamos que o governo agia com muita opacidade e pouca transparência. O que sabemos hoje é muito mais grave. O trecho quebrado da estrada era um trecho onde materiais novos eram coletados junto com os antigos desde 1989”, um porta-voz da oposição citou uma notícia publicada pelo El Mundo.
“Oscar Puente repetiu ad nauseum durante toda a semana que a estrada foi totalmente reparada, com um custo de 700 milhões de euros. O governo de Pedro Sánchez enganou e escondeu informações importantes das famílias das vítimas”, disse Tellado, criticando o governo por se dedicar a “espalhar dúvidas e meias verdades”.
Ao mesmo tempo, quando Pedro Sánchez apoiou Puente num comício em Aragão, o PP pediu a demissão do ministro que “se apresentava como um fornecedor de informações reais e precisas face aos boatos. Mas era um falso”, Tellado foi muito crítico.
“A única verdade é que ele e o seu ministro dos Transportes mentem há uma semana: ele por inação, e Puente por ação. Isto é terrível e inaceitável, e queremos saber porquê”, pediu uma explicação. “Queremos saber porque é que, poucas horas depois do acidente, o ministro disse que se tratou de um acidente muito estranho, que atribuiu ao azar, ao azar. Depois não hesitou em rejeitar as primeiras notícias da comunicação social que indicavam que a estrada tinha avariado. Mais tarde, admitiu que a fissura no carril era uma possibilidade distinta, pois era um problema recorrente na rede ferroviária de toda a Europa e hoje, em entrevista ao El País, muda novamente a história para indicar que a falha pode ter sido causada por um defeito de aço, soldadura ou material. Tudo menos admitir que a via foi parcialmente reparada, não completamente, e que o descarrilamento pode ter ocorrido devido à má manutenção, que dependia do seu ministro”, lamentou Tellado.