janeiro 26, 2026
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Na indústria das artes marciais mistas (MMA), e mais especificamente no UFC – sua maior liga – os torcedores precisavam de ídolos, grandes craques aos quais se agarrar, atletas que conseguissem romper barreiras e derrubar as barreiras do nicho dos esportes de combate. Embora hoje em dia os lutadores amem Ilya Topuria ou há alguns anos outros como Conor McGregor lhes permitiram acumular audiências altíssimas, houve outros lutadores neste século que marcaram uma época.

Usando uma comparação de futebol, Falar de Georges St-Pierre é falar de uma espécie de Pelé ou de Maradona.um cara que muitos fãs consideram um dos melhores lutadores da história do MMA, senão o melhor. O canadense, que conseguiu ser bicampeão do UFC (no meio-médio e no peso médio) e dominou com muita autoridade por muitos anos, assina o epílogo do livro “Assault on the Octagon” (HarperCollins), publicação espanhola que conta a história do UFC. Enquanto isso, St-Pierre visita a ABC para falar sobre sua carreira profissional e os horizontes que Ilya Topuria ainda precisa explorar.

-Eu entendo que na sua juventude você sofreu bullying, e isso o levou às artes marciais.

– É assim que é. Comecei no caratê quando tinha oito anos porque fui vítima de bullying na escola. Foi puro protecionismo. Mas depois tornou-se uma paixão e, mais tarde, o meu modo de vida.

– Com que idade você mudou para o MMA?

-Comecei a praticar caratê aos oito anos, depois voltei minha atenção para o MMA e comecei a treinar quando vi Royce Gracie vencer o primeiro torneio do UFC 1. Um amigo alugou um videoteipe, eu assisti e me inspirou muito. Resolvi praticar o Jiu-Jitsu Brasileiro e, aos 16 anos, meu objetivo era ser campeão do UFC.

– Durante sua carreira profissional, você treinou em várias academias ou apenas na Tristar Gym no Canadá?

– Durante minha carreira treinei em diversas academias. Treinei em Nova York com Renzo Gracie, em Montreal no Olympic Wrestling Club e em outro clube de boxe, enquanto continuava treinando caratê. Já treinei em inúmeras academias com muitos atletas de diferentes estilos.

-Como você conseguiu entrar no UFC?

-Participei de uma promoção local e não perdi. Meu promotor me colocou contra Pete Spratz, uma estrela em ascensão que venceu Robbie Lawler (uma lenda do UFC), e eu o venci. Foi assim que tive a oportunidade de competir no UFC.

– Tem uma luta decisiva na sua carreira, foi a que você fez contra o Carlos Condit no Canadá, porque você sofreu uma lesão gravíssima, como consta em “Assalto ao Octógono”. Como você se lembra daquela luta?

-Foi uma luta muito difícil. Eu estava voltando de uma lesão no joelho e foi um campo de treinamento muito difícil. Tive que começar do zero, fiquei seis meses sem treinar, me reabilitando de uma lesão, e foi muito difícil voltar à forma, porque normalmente quando você começa um training camp você faz da base, mas naquele momento tive que começar do zero. Fiquei fora de forma e não consegui nem andar por várias semanas. Tive que reaprender a andar, treinar forte, lutar para chegar ao meu auge.

-O espanhol Jorge Blanco, que morava no Canadá, entrou no campo de treinamento para se preparar para a luta contra Carlos Condit. Como você se lembrou disso?

– O Jorge é um grande amigo e um ótimo parceiro de treino, tive muita sorte de tê-lo ao meu lado no camp. Ele também esteve na minha última luta contra Michael Bisping (na qual St-Pierre conquistou seu segundo cinturão do UFC). Sempre treinamos muito juntos, ele é um lutador muito bom, mas também um treinador muito bom. Ele ensinou muitas pessoas e é um professor muito bom.

– Falando globalmente… Qual foi o seu ponto mais forte como lutador?

-Minha adaptabilidade. Minha capacidade de me tornar inimigo do meu oponente, tirá-lo da zona de conforto e lutar onde me sinto mais confortável.

-Para mim você é o primeiro superatleta do UFC, uma espécie de samurai. Você concorda?

-Tem muitos lutadores que são atletas muito bons, ao longo dos anos o esporte se desenvolveu muito e isso fez surgir atletas muito bons. Aprendi muito com meus antecessores, meus parceiros de treino e também com os erros dos meus mentores. Sempre me permito fazer o meu melhor.

– Os ferimentos foram seu principal inimigo?

– Não só durante a minha carreira, mas também depois da minha carreira esportiva. A lesão do manguito rotador foi muito difícil porque o ombro é uma articulação diferente, você tem que movê-lo muito e é muito difícil voltar a ser cem por cento igual.

-Qual luta você considera a mais difícil da sua carreira?

-Minha primeira luta contra o BJ Penn foi um pesadelo.

-Qual você acha que é o seu legado para o UFC e o MMA?

-Sempre quis ser lembrado como um campeão, mas também como uma pessoa que tentou levar o esporte a um novo patamar, uma pessoa que deixou uma marca positiva no esporte. Isso era mais importante do que ser lembrado como forte.

-Uma das estrelas mais brilhantes da atualidade é a espanhola Ilia Topuria. Qual é a sua opinião sobre ele?

-Ilya Topuria é formidável, não há limites para ele. Ele é um lutador muito completo, é muito bom em todos os aspectos, é um verdadeiro campeão, um grande exemplo para os jovens. Ele é muito bom dentro e fora do octógono. Espero vê-lo lutar contra o Islam Makhachev, será uma luta incrível para os fãs.

– No momento ele é bicampeão do UFC, assim como você. Você acha que ele pode se tornar um dos melhores da história?

– Claro, acho que se Ilya Topuria continuar o que está fazendo e permanecer neste nível, ele se tornará o melhor de todos os tempos. Você só precisa manter o foco sem se distrair. Ele definitivamente tem todas as ferramentas para ser o GOAT (“O Maior de Todos os Tempos”) cem por cento. Desejo-lhe boa sorte.

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