A resolução está sendo elaborada pelo Ministério do Consumidor Pablo Bustinduy Isto incentiva a disponibilidade de alimentos frescos em máquinas de venda automática em centros comunitários, mas na prática significa aumento de custos, mais desperdício, maior utilização de plástico descartável e, em muitos casos, menos opções reais para o consumidor.
As frutas frescas têm vida útil curta, exigem monitoramento constante de armazenamento e rotação e necessitam de embalagens que garantam a segurança alimentar.
Tudo isso encarece o produto e reduz sua rentabilidade a tal ponto que o que é promovido como alternativa saudável pode acabar desaparecendo dos automóveis por falta de viabilidade econômica.
“Em termos gerais, a venda de fruta fresca em máquinas de venda automática troca em geral não rentável”, alerta. Yolanda CarabanteDiretor Geral da Associação Nacional Espanhola de Distribuidores Automáticos (Aneda).
Este é o primeiro grande paradoxo que a associação patronal do setor condena: a norma exige a oferta de produtos saudáveis que o próprio modelo de venda dificulta a manutenção ou contraria outros projetos do governo espanhol, como a redução do uso de plásticos.
Ações legais
Segundo o CEO da Aneda, o projecto de regulamento tem um “impacto directo e significativo” nas empresas, especialmente nas que operam em hospitais, centros médicos e edifícios residenciais, onde o decreto exige que pelo menos 80% da gama seja considerada saudável e limita a visibilidade dos produtos ultraprocessados, alterando o equilíbrio das vendas e das margens.
Dada esta situação, a Aneda solicitou reuniões técnicas com o ministério para esclarecer definições e critérios operacionais.
Ao mesmo tempo, o seu departamento jurídico está a preparar acusações em três áreas principais: as consequências económicas da adaptação, problemas de viabilidade operacional e redação ambígua de alguns artigos do projeto. “Você sabe o que significa segurar uma pêra em uma máquina?” eles perguntam.
“O artigo 11.º do decreto contém termos pouco claros que podem dar origem a interpretações contraditórias”, sublinha Carabante, que exige critérios técnicos específicos e um prazo razoável para a implementação.
As avaliações internas do sector apontam para uma segunda contradição significativa.
Em algumas regiões, o volume de negócios poderá cair significativamente, “em alguns casos até 60%”, devido ao menor volume de negócios e às margens de lucro mais baixas nos produtos saudáveis.
Uma queda na receita que afetará mais do que apenas as empresas troca. Muitos hospitais e centros médicos recebem taxas associadas à facturação destas máquinas, pelo que a redução das vendas irá forçá-los a ajustar-se para baixo, o que reduzirá directamente os seus orçamentos.
A isto acrescenta-se o risco de invalidação de numerosos concursos governamentais.
Se a rentabilidade não for garantida no novo ambiente, as empresas podem decidir não se mostrar, comprometendo a continuidade do serviço que é crítica em muitos centros.
É o caso dos profissionais de saúde e das famílias dos pacientes, “que em muitos casos dependem de troca como a única opção alimentar num momento em que não existem alternativas abertas”, afirma o CEO da Aneda.
Reduza o desperdício
No caso específico das frutas frescas, a polêmica se estende a outros objetivos de políticas públicas.
As embalagens individuais, necessárias para garantir a segurança alimentar, aumentam a utilização de materiais e o desperdício, o que é contrário às políticas de redução de resíduos.
As alternativas – frutas embaladas em materiais orgânicos ou produtos frescos com prazo de validade mais longo – aumentam o preço final que os consumidores podem não estar dispostos a aceitar.
O decreto também se aplica às máquinas de café, onde se propõe a recusa do açúcar por defeito.
Neste momento este sector é menos crítico. “Do ponto de vista técnico, isso não é uma barreira”, explica Carabante, lembrando que a maioria das máquinas permite programar ou ajustar a quantidade de açúcar ao gosto do utilizador.
Destaca ainda que o setor já demonstrou capacidade de adaptação no passado, reduzindo gradativamente o consumo de açúcar e ampliando a oferta de produtos sem adição de açúcar.
No entanto, Aneda insiste que partilha o objectivo de promover hábitos de consumo saudáveis, mas alerta que uma regulamentação mal regulamentada pode ter efeitos opostos aos desejados.
“As medidas devem ser proporcionais, justificadas e adaptadas à realidade operacional troca. Não é razoável responsabilizar este canal como principal responsável por problemas complexos como a obesidade”, conclui Carabante, que recomenda estudos económicos preliminares para garantir a implementação justa e eficaz do decreto.