O ex-secretário da organização PSOE, Santos Cerdan, pediu a Leopoldo Puente, instrutor do caso Koldo no Supremo Tribunal, que apresentasse uma queixa à Unidade Central de Operações (UCO) da Guarda Civil, que encomendou em 20 de junho, contra o seu património, uma vez que as suas conclusões lhe permitirão combater a “verdade oficial” que, segundo ele, foi estabelecida sobre a sua “suposta corrupção”.
Na carta, à qual o EL PAÍS teve acesso, os advogados de Cerdan afirmam que seu cliente sofre uma “deterioração” do direito à presunção de inocência, já que até agora todas as decisões judiciais e relatórios da UCO o identificaram como o suposto mentor de um esquema de cobrança de subornos em troca de obras públicas, pelo qual também estão sob investigação o ex-ministro dos Transportes José Luis Abalos e seu ex-assessor Koldo García. Segundo Cerdan, trata-se de alegações infundadas, que garante que serão refutadas após a apresentação do relatório patrimonial.
A título de exemplo destas acusações alegadamente infundadas, a defesa recorda que, quando foi enviado para uma prisão temporária, o instrutor estipulou que “poderia ter recebido pelo menos 4.500.000 euros” sob a forma de alegados subornos, “sem maiores especificações”. Da mesma forma, os advogados de Cerdan criticam o facto de ele ser apontado como proprietário de 45% da Servinabar, empresa que funcionará como “fachada para a recolha de subornos de prémios de serviço público”. A defesa insiste em negar que seja proprietária da empresa navarra, mas sustenta que “ela desenvolve atividades reais e as pessoas que nela poderiam trabalhar desempenhavam temporariamente as correspondentes atividades remuneradas”. “Há muitas provas, incluindo fotografias, da realidade deste tipo de trabalho”, afirma, chamando de “surpreendente” que não tenham havido depoimentos de “possíveis testemunhas” que pudessem corroborar.