janeiro 26, 2026
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O caso de um menor de 14 anos é supostamente vendido a sua família de Corella (Navarra) para outra família de Mollerussa (Lleida) em troca de 5.000 euros, não será esquecido. O tribunal de Navarra corrigiu o juiz que encerrou a investigação há dois meses e obrigou-o a retomá-la. Os magistrados acreditam que existem razões convincentes para acreditar que a menor foi vendida para se casar com um rapaz de 21 anos, apesar de a menina, no seu depoimento como vítima, ter negado isso e insistido que acabou na nova família “voluntariamente”.

A resolução observa que existe um “risco claro” para a menor e que ela “requer proteção especial” como vítima de tráfico e coerção. O tribunal de Navarra, que ouviu o recurso interposto pelo Ministério Público, considera que a abertura do processo foi “prematura” e defende que a medida preventiva que foi introduzida na altura (e que foi cancelada juntamente com a apresentação do pedido) está “de acordo com a lei”.

A investigação foi encerrada quando a adolescente negou ter sido submetida a um casamento arranjado e não admitiu ter sido vítima de crime. Mas esta circunstância em relação a uma menor de 14 anos “não pode ser sinónimo de não ser vítima”. A proteção e o apoio, segundo o Estatuto da Vítima, “não são apenas de natureza processual e não dependem da sua posição no processo”, sublinha a resolução.

Outro elemento que o juiz teve em conta ao encerrar o processo foi a falta de provas de pagamento: 5.000 euros e cinco garrafas de whisky que os seus pais alegadamente levaram a outra família pelo negócio. No entanto, os juízes acreditam que há provas suficientes para uma investigação. Por exemplo, fotografias fornecidas por uma testemunha em que uma menor aparece com o seu “suposto marido” e familiares numa festa de casamento.

O casamento forçado de uma menina de 14 anos não é o único crime alegadamente cometido neste caso. Há também indícios de que o menor foi utilizado para a mendicância e o roubo: Mossos d'Escadre foi visto mendigando primeiro em Belpuig e depois em Le Borges Blanques, dois municípios da província de Lleida. Seus parentes a levaram de lá. Garantiram aos agentes que eram familiares e que os pais da menina viviam em Saragoça e não podiam viajar porque tinham muito trabalho. Eles estavam com a certidão de nascimento da jovem e a mostraram à polícia.

Além disso, o menor não frequentou a escola, e esta violação de um direito fundamental, lembra a resolução, “pode resultar em sanções para os pais, que vão desde multas até prisão por um período de três a seis meses”. Se tal negligência for grave e continuar ao longo do tempo, o menor pode ser considerado indefeso e, portanto, colocado sob os cuidados dos serviços sociais.

Testemunha sob ameaça

A descoberta significará que os procedimentos solicitados pelo Ministério Público serão realizados. Os juízes ordenaram que fossem obtidas provas de uma testemunha que “forneceu informações de grande importância”; especificamente, o perfil do Facebook do suposto marido e do menor, bem como fotografias do casamento em que ambos são vistos durante a celebração. Essa testemunha, que também forneceu detalhes sobre o preço de venda e a localização da menina, “estava sob ameaça da família do menor”, ​​afirmou a decisão do tribunal.

Os Mossos d’Esquadra devem apresentar um novo relatório ao tribunal de Navarra para determinar se os familiares de Mollerussa, com quem o menor vive desde pelo menos janeiro de 2025, estão envolvidos em atividades criminosas e quais são os seus “meios de subsistência”. O tribunal solicitou também aos serviços sociais da cidade de Corella que apresentassem um relatório sobre as medidas sociais e de intervenção da família da menor, a fim de conhecer a situação da “sua unidade familiar, social e escolar”.

Referência