O futuro do acordo comercial México-EUA-Canadá está incerto. O Bank of America, uma das maiores instituições financeiras, prevê que o USMCA sobreviverá à sua revisão no próximo mês de julho, mas com alterações significativas. Carlos Capistran, economista-chefe para o México, América Latina e Canadá do U.S. Bank, observa que o acordo comercial poderá estar sujeito a avaliação anual. “O que podemos prever é que a revisão do USMCA ocorrerá, (os signatários do acordo) concordarão com a maioria do USMCA, e o acordo não será violado, permanecerá trilateral, mas há algumas questões específicas que estão potencialmente em aberto no sector energético com o México, e nesse sentido, é possível que passemos para revisões mais frequentes, para revisões anuais, e assim as empresas continuarão a enfrentar alguma incerteza”, disse o especialista em conferência de imprensa este ano. Segunda-feira.
Na perspectiva do banco, a incerteza causada pela volatilidade nas estimativas dos acordos comerciais e possíveis frentes abertas terá impacto no investimento no país. “Essa incerteza vai continuar neste ano de fiscalização do TMEC, a partir de julho a incerteza vai diminuir um pouco, mas não creio que chegue a zero”, disse. O especialista observou que se o acordo for violado, será um “forte golpe” para a economia mexicana e que o crescimento será “muito diferente”, ajustado para baixo em comparação com o cenário base da instituição.
Capistran sublinhou que o governo dos Estados Unidos utilizou o USMCA como ponto de pressão sobre o México para extrair concessões tanto na área comercial como no facto de o México impor tarifas às importações da China, Brasil, Índia, bem como em outras áreas como migração e segurança, o que é uma moeda de troca que será preservada. Ele também observou que o México tem uma das taxas tarifárias mais baixas de qualquer país do mundo devido ao fato de que as exportações que atendem aos requisitos do acordo comercial estão isentas dessas taxas.
O Banco dos EUA observa que, em 2025, a economia mexicana foi afetada por um declínio no investimento público e privado, no consumo e na incerteza tarifária global – fatores que desencadearam um crescimento do PIB de 0,4%. Porém, as expectativas do PIB para este ano são mais animadoras: a previsão é de 1,2%. “Esperamos que as exportações continuem a crescer e que tenhamos uma Copa do Mundo na América do Norte, o que pode ajudar o consumo, e que o crescimento econômico seja maior do que esperamos e ainda mais do que esperamos”, comentou Capistran.
O Bank of America, um dos maiores bancos dos EUA, também reconheceu o fraco crescimento económico que tem atormentado a segunda maior economia da América Latina durante anos. Capistran explicou esses números baixos (abaixo de 1% ao ano) por uma crise estrutural de produtividade. Segundo eles, de 2018 até agora, a produtividade do trabalho nos Estados Unidos aumentou 4%, enquanto no México este número caiu 6%. “Temos de aumentar o investimento no capital humano, temos de promover empresas mais dinâmicas, temos de aumentar o nosso investimento em infraestruturas físicas e digitais, acelerar a adoção de tecnologia e fortalecer as instituições e o Estado de direito”, concluiu.
Este ano, a instituição financeira prevê que a inflação feche nos 4,1% em 2026 devido ao aumento dos impostos sobre refrigerantes e produtos de tabaco, bem como aos impostos sobre as importações fora do USMCA e às tarifas industriais sobre materiais como o aço e o alumínio, bem como aos aumentos temporários de preços devido ao Campeonato do Mundo. Capistran observou que a previsão do Banco do México de que o crescimento dos preços atingirá a sua meta de 3% no terceiro trimestre de 2026 será muito difícil. Apesar da inflação persistente, o Bank of America acredita que o Banco do México continuará a cortar as taxas de juro para 6% este ano. As previsões cambiais da instituição financeira, em meio à inesperada fraqueza do dólar, apontam para um nível de peso de 17,30 unidades por dólar. No entanto, o Bank of America espera que a incerteza do USMCA enfraqueça no segundo semestre do ano e feche em 18,25 unidades em 2026.