Ignacio Lleo, advogado do departamento de Salomé Pradas, disse ao juiz Dana na terça-feira que no dia 29 de outubro de 2024, trágico dia em que morreram 230 pessoas, apoiou categoricamente e sem polêmica a opção de limitar a população, uma das medidas propostas pela reunião do Centro INTEGRADO de Coordenação Operacional (Chekopi). A testemunha, segundo fontes familiarizadas com o depoimento visto por elDiario.es, disse que os regulamentos de emergência, tanto regionais como nacionais, permitem o “confinamento” e a “evacuação forçada”. “Proteger a vida vem em primeiro lugar”, disse ele.
Naquele dia fatídico, Ricardo García García, subsecretário do departamento, foi consultado por um advogado. “As pessoas tinham em mente restrições de direitos durante a Covid, daí a consulta”, disse ele. Lleo, acrescentou, respondeu que “o relatório do escritório de advocacia não é necessário para a determinação do despejo ou da detenção”. “As leis de emergência permitem isso”, segundo seu parecer jurídico.
“Faz sentido que nesta comunidade você esteja se referindo ao Pântano de Tows, e quando lhe dizem que a barragem está prestes a romper, isso não é pouca informação; reconheço a gravidade da situação e da comunidade afetada, por isso estou transmitindo a decisão à minha gestão o mais rápido possível”, disse ele.
Segundo a testemunha, o vice-ministro disse-lhe que “a barragem aqui está prestes a ruir”, referindo-se a Forata. Ignacio Lleo, porém, não conseguiu detalhar a cronologia exata das ligações que fez e recebeu. De qualquer forma, garantiu que não se lembra de ter falado com o então secretário regional da Presidência, Cayetano García Ramírez.
O advogado “nunca” conversou com o chefe de gabinete de Carlos Mason, o então secretário regional José Manuel Cuenca. Questionado sobre se as ordens de Cuenca à Pradas (“restringir qualquer coisa”) se baseavam “em alguma consulta” ao Ministério Público da Generalitat, a testemunha respondeu que não tinha conhecimento de que o departamento tivesse respondido dessa forma.
Reunião burocrática matinal Dan
Por outro lado, a testemunha foi interrogada sobre a diretoria da Sociedade Valenciana de Gestão Integrada de Serviços de Emergência (SGISE) na manhã do dia 29 de outubro, numa reunião burocrática em alerta máximo, na qual estiveram presentes tanto o secretário regional Emilio Argüeso (investigado neste caso) como o diretor-geral Alberto Martín Moratilla.
“O protocolo foi elaborado e tornado público”, afirmou, citando um documento publicado por este jornal em 17 de setembro.