O Banco de Desenvolvimento CAF da América Latina e o Grupo Indra assinaram um memorando de entendimento sobre o desenvolvimento regional de projetos e infraestrutura digital no Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe 2026, no Panamá, na terça-feira. O acordo permitirá que os países que concordem com qualquer contrato com a empresa espanhola recebam apoio financeiro do organismo multilateral.
As áreas de trabalho são diversas, consistentes com o trabalho que o Grupo Indra realiza em mais de 140 países: plataformas digitais de governo, cibersegurança, proteção de infraestruturas, tráfego aéreo e soluções espaciais, e aplicações de inteligência artificial para governo.
O memorando foi assinado pelo presidente executivo da CAF, Sergio Diaz Granados, pelo presidente executivo do Grupo Indra, Angel Escribano, e pelo seu CEO, José Vicetne de los Mosos. Em qualquer caso, trata-se de identificar projetos de desenvolvimento que estão atrasados por falta de financiamento em “áreas sensíveis tanto para a Indra como para a CAF, onde o desenvolvimento regional está atualmente estagnado”, resumiu Díaz Granados na apresentação.
Para a Indra, o memorando se tornará um “acelerador” de projetos. Pode levar até 30 meses entre a necessidade e o lançamento, entre o desenvolvimento, a configuração e os recursos governamentais para concluí-lo. Uma mudança de prioridades ou um acontecimento extraordinário é suficiente para fazer com que muitos planos sejam cerceados. A colaboração entre a Indra e o CAF terá como objetivo agilizar os processos de arranque, garantir os fundos necessários e neutralizar imprevistos. “Agora podemos negociar com a administração e dizer: ‘Tenho este projeto e aqui está o financiamento’”, diz Escribano. “Isso tem uma vantagem enorme. Por exemplo, em projetos relacionados ao controle de saúde pública ou tecnologia da informação. Se passarmos 24 ou 30 meses desenvolvendo, quando finalizarmos já estará obsoleto. Neste ambiente de alta velocidade, é uma opção muito boa para reduzir tempo”, acrescenta.
O Memorando de Entendimento prevê o estabelecimento de um comitê de coordenação CAF-Indra que se reunirá periodicamente para analisar o progresso e identificar novas oportunidades de colaboração. E o financiamento, diz Escribano, é o ponto fraco de qualquer projeto. “O lado comercial da Indra, junto com o país que tem necessidade, está trabalhando para definir o projeto. Depois que a Indra e o país anfitrião conversam com o CAF e o financiamento é acertado. E é assim que tudo começa”, detalha.
O foco estará no desenvolvimento e mobilidade de aplicativos, “que precisam ser melhorados globalmente”. “Devemos acelerar a mobilidade identificando congestionamentos e filas nos aeroportos, por exemplo devido a requisitos de identificação de passageiros. Mas para isso precisamos de investir”, afirma Escribano.
Agora é o momento certo para investir na América Latina? “Estamos muito confortáveis na América Latina e o crescimento está garantido. 30% do nosso pessoal está nesta região e 22% da nossa receita vem daqui, por isso dizemos que esta é a base do nosso investimento. A Indra não é o maior empregador da América Latina, longe disso, mas estamos no meio da mesa. Este memorando nos ajudará a crescer neste sentido.”