janeiro 29, 2026
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“Modificações genéticas que demoraram duas décadas agora podem ser realizadas em poucos meses.” É o que explica José Miguel Mule, professor de bioquímica e biologia molecular da Universidade Politécnica de Valência, na secção “Sonhos” do programa Madrid Fusión 2026. CrisPR é a palavra magia que está revolucionando a genética na pecuária e na agricultura. Um acelerador genético alucinante que criará os produtos do futuro.

CrisPR é uma ferramenta revolucionária de edição genética, uma “tesoura molecular” que permite cortar, inserir ou modificar sequências de DNA com precisão em células vivas. Criado a partir de um sistema imunológico bacteriano, utiliza RNA guia para detectar sequências específicas e a proteína Cas9 para corte, facilitando o tratamento de doenças, melhorando a agricultura e os avanços biotecnológicos.

“O CrisPR modifica o DNA sem incorporar nada de fora. Não é um transgene porque não há nada de estranho nele. Transgenicidade é recortar e colar, e isso é diferente”, explica Mulet. “Já existem animais modificados com CrisPR que podem ser consumidos, como o baiacu com variedades atóxicas. Os Estados Unidos aprovaram dois tipos de porcos que sofrem menos com o clima e estão mais adaptados ao calor, e a Argentina introduziu há três meses uma raça de cavalo que acumula mais músculos e é adequada para jogar pólo”, explicou Mulet.

“Há alguns desenvolvimentos muito importantes acontecendo na genética da pecuária”, alerta. “Podemos introduzir gordura na carne e gerar um prêmio de raça subestimado”, deu como exemplo. As plantas seguem um caminho diferente. “A agricultura teve origem antes da pecuária. Domesticamos muitas plantas, mas muito poucas espécies animais. O desafio agora é produzir plantas viáveis ​​face às alterações climáticas. Garantir que as plantas que não são alimentadas tenham um melhor desempenho, por exemplo, adicionando vitamina A ao arroz ou fortificando grãos como o trigo e o milho com ferro.

“A seleção genética é uma realidade que melhora significativamente a produção de caprinos, ovinos e bovinos”, enfatizou Rafael Valenzuela, representante da Real Federação Espanhola de Associações de Pecuários Selecionados. Outros problemas surgem, como o uso de metano proveniente de vacas, fazendas fechadas capazes de utilizá-lo utilizando biofermentadores e biorreatores em circuito fechado.

O que e como comeremos no futuro? Como a genética mudará nossa dieta? Que questões éticas e morais enfrentamos? Modificaremos animais e plantas à vontade? Finalmente haverá comida para todos? A genética fornece muitas respostas para essas perguntas. Desempenha um papel cada vez mais importante na inovação alimentar, seja na investigação laboratorial ou na produção em explorações agrícolas ou piscícolas. Uma inovação científica muitas vezes invisível, mas “muito transformadora”, como destacou José Miguel Mule em Dreams, um espaço de comunicação e discussão entre a ciência e o setor de commodities, explorando como a inovação no início da cadeia alimentar pode redefinir a alimentação do futuro.

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