janeiro 29, 2026
CFXONCHXRREL5KHU6W4O4RVJGA.jpg

O governo federal propõe iniciar na próxima segunda-feira o processo de reparação integral dos danos causados ​​às vítimas da tragédia do Trem Interoceânico, que matou 14 pessoas e feriu quase uma centena em Oaxaca há um mês. O subsecretário de Direitos Humanos do Ministério do Interior (Segob), Arturo Medina, garantiu esta quarta-feira que as indemnizações e assistências serão determinadas em conversas com as famílias, embora não tenha dado detalhes dos valores. Medina explicou que a indemnização será diferenciada e determinada em função das circunstâncias e do grau de impacto de cada vítima. “Não é apenas um valor económico, tem a ver com habitação, bolsas de estudo, escolas e tudo o que uma família precisa”, acrescentou a Presidente Claudia Sheinbaum na sua conferência matinal.

O início da indemnização integral das vítimas ocorreu um mês depois do acidente, que, segundo a Procuradoria-Geral da República, ocorreu quando o comboio fazia uma curva a uma velocidade de 65 quilómetros por hora, o que está 15 quilómetros acima do limite de velocidade para este troço do percurso.

Os encontros com as famílias, que terão início na segunda-feira e decorrerão nos locais de residência das vítimas, contarão com a presença de uma equipa de assessores jurídicos e funcionários da FGR e Segoba. O objetivo, disse Medina, é “evitar a transferência para a Cidade do México” e reduzir ao mínimo o tempo administrativo. “As pessoas afetadas podem concordar ou aceitar as alternativas acima mencionadas que o FGR fornecerá”, disse ele. O atendimento será prestado nas comunidades onde vivem as pessoas afetadas, principalmente em Oaxaca e Veracruz. “O procedimento, que normalmente leva seis meses, vamos fazer o mais rápido possível”, garantiu.

O Corredor Interoceânico acatou os reparos recomendados pela FGR. Medina esclareceu que nas mesas de trabalho, onde cada família pode decidir se quer aderir, será apresentada a proposta da seguradora. Até o momento, três das vítimas apresentaram queixas à FGR contra as construtoras e seus responsáveis, incluindo empreiteiros e governantes.

Por sua vez, Sheinbaum referiu que o processo de indemnização começa com o FGR, visto que esta é uma das soluções alternativas de justiça previstas na lei. “Há uma ligação com todas as pessoas que estavam no trem e com as famílias das pessoas que infelizmente morreram”, disse ele. Sheinbaum disse que primeiro a parcela correspondente será entregue à seguradora e depois, conforme decisão do Fundo Estadual Federal, será estabelecido um apoio adicional para cada família. “Ao mesmo tempo, é designado um funcionário público para cada caso”, garantiu. O Presidente disse ainda que uma pessoa continua internada em consequência do acidente.

Na terça-feira, a Procuradoria-Geral da República (FGR) apontou o excesso de velocidade como causa do acidente. Segundo a procuradora-geral Ernestina Godoy, na curva onde ocorreu o acidente, o comboio circulava a uma velocidade de 65 quilómetros por hora, o que está 15 quilómetros acima do limite de velocidade, e ultrapassou o limite de velocidade em retas em 41 quilómetros por hora. Fontes próximas confirmaram ao EL PAÍS a prisão do maquinista e de outros funcionários do trem. A decisão e o anúncio de reparações às vítimas ocorrem um mês depois da tragédia num dos principais projetos do governo do ex-presidente Andrés Manuel López Obrador para reconstruir as ferrovias do país.

Referência