janeiro 29, 2026
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Vivemos numa constante obsessão por estarmos à frente do tempo, cronológico e meteorológico. Esperamos que a ciência imprecisa, que depende tanto das probabilidades dos ventos, nos dê garantias absolutas do que acontecerá num futuro cada vez mais distante. Nós as previsões de chuva são tão intensas que acreditamos nos relatos do Domingo de Ramos que os sites oferecem daqui a um mês como se fossem uma certeza plausível. Esta confusão, nascida da impaciência da nossa sociedade infantil, fez com que os próprios especialistas a quem classificamos como se fossem alquimistas que conseguem transportar nuvens para outro lugar, acabem por acreditar que são gurus. E é nesse espírito pretensioso de adivinhação mística que acabam atirando pedras no próprio telhado.

Agora está na moda entre os meteorologistas anunciar como será a próxima temporada. Esses meteorologistas, que, quando chega a hora da verdade, preferem não mijar na previsão do tempo, sabendo que o raio da discórdia pode atingi-los se falharem, ousam declarar em dezembro que o inverno será seco. Tanto que a sucessão de tempestades que nos abalaram fez com que o Guadalquivir estivesse à beira do transbordamento em alguns locais, com reservatórios sendo drenados de uma forma raramente vista nos últimos anos.

É claro que a explicação para esta sequência de tempestades convectivas são as alterações climáticas. Onde antes a explicação para toda a incerteza era a providência e o castigo divino, agora o prego ardente são as alterações climáticas. Dana de Valência? Mudanças climáticas, não falta de melhores infra-estruturas hidráulicas. Isto parece ser um dogma irrefutável para os companheiros crentes da Agenda 2030, a menos que alguém queira ser rejeitado como um herege negador de cavernas. Eles ainda não nos venderam (ainda está por vir) a teoria de que uma das razões para a falha da via que causou o descarrilamento de Adamuse é a mudança climática que causa a fadiga dos materiais… sejam eles devidamente testados ou não.

Portanto, o inverno seco que nos foi anunciado deveu-se ao facto de “a atmosfera já não ser o que era antes”. Depois do terceiro outono mais quente já registrado, chegou a estação sem guarda-chuvas. E quase sem casaco, porque nos disseram que a temperatura iria subir. Aqui estamos nós, com as meias encharcadas em poças e uma maca somando às nossas despesas de janeiro junto com a conta de luz.

Os gurus nos dirão que é por causa da oração climatológica do Pai Nosso que nos obrigam a recitá-la, e que ela já está entre nós. É por isso que as previsões não deram certo: as alterações climáticas deveriam trazer-nos um Inverno seco, mas estão a mudar tanto que agora nos trazem três tempestades consecutivas. Desculpe, ciclogênese explosiva, as árvores nos jogam fora e ficam presos no Torneio.

Referência