Vivemos numa constante obsessão por estarmos à frente do tempo, cronológico e meteorológico. Esperamos que a ciência imprecisa, que depende tanto das probabilidades dos ventos, nos dê garantias absolutas do que acontecerá num futuro cada vez mais distante. Nós … as previsões de chuva são tão intensas que acreditamos nos relatos do Domingo de Ramos que os sites oferecem daqui a um mês como se fossem uma certeza plausível. Esta confusão, nascida da impaciência da nossa sociedade infantil, fez com que os próprios especialistas a quem classificamos como se fossem alquimistas que conseguem transportar nuvens para outro lugar, acabem por acreditar que são gurus. E é nesse espírito pretensioso de adivinhação mística que acabam atirando pedras no próprio telhado.
Agora está na moda entre os meteorologistas anunciar como será a próxima temporada. Esses meteorologistas, que, quando chega a hora da verdade, preferem não mijar na previsão do tempo, sabendo que o raio da discórdia pode atingi-los se falharem, ousam declarar em dezembro que o inverno será seco. Tanto que a sucessão de tempestades que nos abalaram fez com que o Guadalquivir estivesse à beira do transbordamento em alguns locais, com reservatórios sendo drenados de uma forma raramente vista nos últimos anos.
É claro que a explicação para esta sequência de tempestades convectivas são as alterações climáticas. Onde antes a explicação para toda a incerteza era a providência e o castigo divino, agora o prego ardente são as alterações climáticas. Dana de Valência? Mudanças climáticas, não falta de melhores infra-estruturas hidráulicas. Isto parece ser um dogma irrefutável para os companheiros crentes da Agenda 2030, a menos que alguém queira ser rejeitado como um herege negador de cavernas. Eles ainda não nos venderam (ainda está por vir) a teoria de que uma das razões para a falha da via que causou o descarrilamento de Adamuse é a mudança climática que causa a fadiga dos materiais… sejam eles devidamente testados ou não.
Portanto, o inverno seco que nos foi anunciado deveu-se ao facto de “a atmosfera já não ser o que era antes”. Depois do terceiro outono mais quente já registrado, chegou a estação sem guarda-chuvas. E quase sem casaco, porque nos disseram que a temperatura iria subir. Aqui estamos nós, com as meias encharcadas em poças e uma maca somando às nossas despesas de janeiro junto com a conta de luz.
Os gurus nos dirão que é por causa da oração climatológica do Pai Nosso que nos obrigam a recitá-la, e que ela já está entre nós. É por isso que as previsões não deram certo: as alterações climáticas deveriam trazer-nos um Inverno seco, mas estão a mudar tanto que agora nos trazem três tempestades consecutivas. Desculpe, ciclogênese explosiva, as árvores nos jogam fora e ficam presos no Torneio.