janeiro 29, 2026
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As novas informações disponibilizadas pelo jornal sobre o estado da ferrovia na zona onde ocorreu o trágico acidente em Adamuz introduzem elementos que reforçam a necessidade de uma investigação abrangente e, sobretudo, de uma análise crítica da situação. gerenciamento de toda a infraestrutura. Acontece que o troço da estrada onde ocorreu o acidente tinha sido previamente identificado como crítico e deveria ser monitorizado de perto pela Adif, o administrador governamental responsável pela manutenção da rede.

Em 2023, o próprio Adif descobriu que mais de cem mil travessas ao longo de um trecho de cerca de 65 quilômetros apresentavam defeitos significativos. Esta circunstância serviu de base à celebração de um contrato para a sua substituição, cujo calendário está calculado até 2026. Agora, enquanto se aguarda a conclusão da investigação oficial, a questão que se coloca é se todos os componentes defeituosos foram substituídos atempadamente no local específico onde ocorreu o acidente, e se foram aplicadas as medidas de controlo e limitação de risco exigidas por tal situação.

O relatório preliminar da Comissão Interina de Investigação de Acidentes (CIAF) lista a fratura do trilho ou de uma de suas soldas como principal hipótese. No entanto, o próprio documento alerta que o estado das travessas e do lastro – camada de rocha utilizada para estabilizar a via – desempenha um papel importante na segurança geral. Assim, não se trata de elementos menores, mas sim de componentes estruturais cuja degradação pode levar a falhas graves. A questão é particularmente sensível num país que fez do transporte ferroviário e de alta velocidade um dos seus principais compromissos em matéria de mobilidade e coesão territorial. A segurança não permite nuances e atrasos administrativos. Se um gestor de infra-estrutura descobre um local com tantos materiais defeituosos, a sua responsabilidade vai além do planeamento da sua substituição com vários anos de antecedência, mas aumenta a vigilância e, se necessário, limita a operação até que sejam garantidas condições completamente seguras.

Soma-se a isso outra questão que não pode ser ignorada: a qualidade do lastro utilizado nesta área. Acontece que ele vinha de uma pedreira não autorizada, onde trabalhou durante algum tempo a esposa do mineiro e assessor do ex-ministro José Luis Abalos Koldo García. Embora qualquer conclusão deva ser baseada em fatos comprovados e não em insinuações, fica claro que essas informações reforçam a necessidade de verificar a origem e as características dos materiais utilizados com rigor técnico. A segurança ferroviária não pode ser comprometida por práticas ou decisões opacas que vão além do interesse geral.

Do ponto de vista institucional, o caso Adamuz desafia a cultura de responsabilização na administração pública. A Adif é um órgão técnico, mas também uma parte fundamental do Estado. A sua atuação deve ser pautada por critérios de visão, diligência e transparência. É por isso que é surpreendente que a primeira medida para restaurar a sua reputação prejudicada seja mudar o nome da empresa ou disfarçá-la como um novo consórcio público ligado à Renfe – uma medida puramente cosmética que não melhorará o seu desempenho. Espanha necessita de uma infra-estrutura moderna, mas acima de tudo segura. A investigação do acidente de Adamuz deve chegar à sua conclusão, examinar todos os elementos e retirar lições que permitam um maior controlo. A prevenção não é um procedimento: é um dever inevitável do Estado.

Referência