O Tribunal Provincial de Castelló emitiu uma ordem de execução trazendo de volta à tona o escândalo judicial de 134 multas na zona azul associadas ao atual chefe do departamento de mobilidade, Cristian Ramirez do PP. Após a interposição inicial do processo, o tribunal deu provimento ao recurso interposto pelo Grupo Socialista Municipal e determinou o reinício imediato da investigação. A Justiça considera que o facto de mais de uma centena de sanções não terem sido pagas e terem sido sistematicamente extintas não pode ser descartado como um simples erro, indicando possíveis indícios de importância criminosa.
A investigação centra-se na gestão das coimas que alegadamente foram acumuladas a um veículo conduzido por Christian Ramirez entre janeiro de 2023 e janeiro de 2024. De acordo com a denúncia inicial apresentada pelo vereador da PSPV, Jorge Ribes, o vereador do Povo somou um total de 167 infrações por estacionamento ilegal na zona ORA. Destes, apenas 33 foram pagos em dia, deixando 134 sanções no ar. A suspeita do Tribunal reside na expiração “mágica” destes processos, uma vez que embora taxas e embargos adicionais se apliquem a qualquer cidadão comum, neste caso as sanções expiraram sem aviso prévio ou execução.
O tribunal sublinha a necessidade de investigar se esta situação resultou de um crime de tráfico de influência, tendo em conta o estatuto de Christian Ramirez como chefe da região que tutela o serviço regulamentado de estacionamento. A Justiça questiona se uma agência governamental poderia ser usada para interromper o processo de arrecadação de fundos. Neste sentido, a representante dos socialistas, Patrícia Puerta, lembrou que o próprio representante do PP, Vicent Sales, admitiu que o vereador só foi pagar as 29 multas acumuladas depois de o escândalo ter rebentado no plenário do município, em janeiro de 2024.
Este cenário jurídico coloca o prefeito de Castello Begoña Carrasco (PP) numa posição política muito comprometida. Até hoje, Carrasco apoia firmemente Cristian Ramirez, declarando mesmo que o conselheiro já pagou pelo seu erro ao pedir perdão publicamente. Contudo, a decisão do tribunal provincial marca um ponto de viragem ao converter o caso em responsabilidade criminal por eventos directamente relacionados com a administração do governo municipal.
Do Grupo Socialista Municipal, Patricia Puerta e Jorge Ribes exigiram a renúncia ou demissão imediata de Cristian Ramirez, alertando Begoña Carrasco que se ela não tomar nenhuma atitude será ela quem assumirá a responsabilidade política por manter o vereador em sua equipe sob suspeita de tráfico de influência. O inquérito judicial deverá agora apurar se houve instrução interna ou omissão deliberada do responsável pela mobilidade para evitar as penalidades que qualquer morador da cidade é obrigado a pagar.