fevereiro 1, 2026
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Há muitos anos assisti à apresentação de uma destas expedições comerciais, não me lembro em que país. Aos empresários da expedição juntaram-se vários cozinheiros que acompanharam cada encontro com ágapes “feitos em Castela e Leão”. estrela brilhante Dessa expedição havia um pequeno copo que continha o que chamavam de “omelete desconstruída”. Este ovo, manteiga e batata não misturados foi um sucesso porque parecia que tudo foi pensado para vender estes kebabs e não os benefícios dos melhores vinhos do mundo apresentados pelas meras trupes do evento.

O apoio ideológico do governo que patrocina o evento é irrelevante. Os cidadãos votaram para ir para o estrangeiro, aumentar as nossas exportações, promover tudo o que há de bom em nós e assim criar empregos, gerar riqueza e garantir a qualidade dos serviços públicos. Porém, a expedição se transformou em uma omelete desmontada.

Pouco depois foi apresentada uma exposição que percorreria o mundo apresentando as melhores obras sacras do nosso vasto património. Um convidado excepcional esteve novamente presente na apresentação e, dada a impossibilidade de ressuscitar um único criador de imagens da escola castelhana, decidiu-se convidar um jovem de Salamanca com pretensões de ser o escultor do mundo inteiro. A atração promocional do evento foram manequins de pijama com sangue escorrendo dos olhos. A história se repetiu, o bem foi eclipsado pela necessidade não imposta por ninguém de avançar em todo o mundo.

Não se pode negar que alguns destes raros pintxos são muito bons, ou que jovens artistas estão a trazer para o estilo românico o que o estilo gótico faz. Bento XVI encorajou os artistas a se deixarem levar pela beleza ao criar inovações e lembrou-lhes que a destruição em si não é garantia de nada. O bolo desconstruído e os bonecos sangrentos personificaram perfeitamente esse pedido. Claro que devemos inovar, claro que devemos olhar para frente, claro que devemos ouvir Jorge Manrique para superar o passado, mas isso não justifica matar o que é real, o que sabe bem ou que nos faz chorar. Caso contrário, seremos como a Rússia de Putin, onde não há nada mais inovador do que chorar por um império – soviético ou czarista – porque exibir as mamas da banda ucraniana Femen ou as músicas do Pussy Riot já não afecta ninguém.

Num mundo tão preocupado com a estética, bem podemos perceber que nem tudo dá certo e que a ruptura política de um extremo ou de outro, se se basear apenas na erradicação do anterior para fazer nascer um novo pandeiro, tem tanta base e tanto futuro como a separação dos ingredientes de uma omelete.

Referência