Na Rua Arjona 10, dois estudantes de pós-graduação da Expo 92, o maior evento de engenharia de Sevilha, começaram a construir o UG21. Aqueles dois jovens que ousaram pensar grande … Manuel González Moles, então funcionário da Empresa Estatal dos Portos da Andaluzia e Ozgur Unay, trabalhava para uma empresa de consultoria de Sevilha, onde chegou depois de terminar os estudos na Turquia e uma estadia nos Estados Unidos.
Já se passaram 25 anos desde que foram feitos os primeiros esboços no apartamento da família onde tudo começou, tempo durante o qual transformaram o escritório numa referência internacional com escritórios em seis países e projetos como a expansão da ferrovia do México e da Colômbia, o acelerador de partículas em Granada ou a coordenação dos trabalhos na Torre Trecca, um dos projetos de saúde mais emblemáticos do Peru.
Celebrarão este importante aniversário mudando a sua sede na zona industrial de Pisa, em Mairena del Aljarafe, onde adquiriram um edifício de 2.000 metros quadrados e pretendem continuar a expandir a equipa profissional que já emprega cerca de 500 pessoas.
– O corrente ano de 2025, que antecedeu o primeiro quarto de século de existência da empresa, terminou com um volume de negócios recorde.
– Ozgur Unay (NU): Temos, ou melhor, tínhamos um plano estratégico e agora estamos a preparar o próximo. Cumprimos mais do que este plano e os resultados superaram as expectativas. Fechamos significativamente acima do esperado. O que propusemos em 2020 e que deveria ter acontecido em 2025 foi que devíamos ter tido um volume de negócios de 15 milhões de euros e cerca de 300 ou 350 colaboradores, mas o que aconteceu foi que no ano passado terminamos com um volume de negócios de 21 milhões e 475 colaboradores. Manuel Gonzalez (MG): Os resultados são muito bons graças à abertura de vários escritórios tanto em Espanha como no estrangeiro. Seremos cerca de oitenta aqui e o resto lá fora.
– Em que países a empresa está presente?
– OW: Na Espanha estamos localizados em Sevilha, Madrid e na América Latina, temos escritórios na Colômbia, Peru e México, que são os maiores, e também temos vendas na Nicarágua, Costa Rica e Equador. Lá trabalhamos com menos estrutura.
– Muitas empresas começam com a expansão para a Europa, mas neste caso foi feita através da América Latina.
– MG: Queríamos dar o salto para um mercado que falasse a nossa língua e crescemos muito lá. No México temos mais de cem funcionários, estamos falando de grandes escritórios e começamos a ter uma presença ativa na América Latina com projetos muito grandes.
“As vendas vêm maioritariamente do exterior, o peso dos projetos internacionais é de 75%”
– Qual a percentagem de atividades realizadas em Espanha e qual o peso do mercado internacional?
– M.G.: Estamos mais ou menos no mesmo nível de outras empresas maduras em Espanha: as vendas do exterior representam cerca de 75% e as vendas a nível nacional representam os restantes 25%. Essa proporção mudou nos últimos cinco anos. O que fazemos hoje não tem nada em comum com o que começamos a fazer. Dizemos sempre isto: somos ambos engenheiros civis e conhecemos-nos enquanto escrevíamos a nossa tese de doutoramento na Universidade de Sevilha. Como resultado, por termos preocupações semelhantes, organizamos o UG21 para trabalhar nesta cidade, mas as coisas estão mudando.
– Dois parceiros complementares.
– OU: Você pode dizer que sim. Vim de outra empresa que lidava com cálculos estruturais, principalmente na especialidade. E o Manolo, bom, ele se interessava muito mais por portos, então começamos a fazer projetos relacionados a infraestrutura de transporte, cálculos estruturais, projetos portuários, mas ao mesmo tempo prestando serviços para empresas, principalmente construtoras.
– Agora o portfólio de serviços é muito mais amplo.
– O. U: Agora é maior, inclui água, energia, aeroportos. Houve um “antes” e um “depois” na vida da empresa após a crise financeira de 2009. Como todas as empresas, nós também fomos duramente atingidos, então nossa carteira de clientes era muito fragmentada, muitos tinham projetos muito pequenos, e foi aí que decidimos sair e buscar um mercado maior, um mercado que falasse espanhol, onde houvesse segurança jurídica e oportunidade de crescimento, e entramos no mercado latino-americano. Abrimos o Peru lá em 2010 e nosso nicho mudou completamente.
M.G.: Hoje em dia a indústria da construção institucional pesa muito. Existem muitos arquitetos na empresa. Nossos projetos são de grande escala, de alto valor e têm grande impacto na área.
“É um verdadeiro orgulho assinar projetos como a expansão do metrô, porque no final você está deixando uma marca no seu terreno com um serviço muito necessário.”
– Para o nosso território, claro, isso terá um grande impacto. UG21 assinou a revisão do projeto da linha 3 do metrô de Sevilha em construção. O trabalho realizado em casa é igual ao realizado no exterior?
– N.U.: Analisamos o projeto e também participamos da gestão da construção dos trechos 1, 2 e 3. Claro que isso é motivo de orgulho para nós, pois vocês estão deixando uma marca na sua cidade em uma infraestrutura tão importante. Mas não só neste projecto, estamos também envolvidos na eliminação da A5 em Madrid, nas consultas técnicas do acelerador de partículas em Granada, temos contratos com a Aena, fomos os projectistas e principais gestores de construção da estação de esqui da Serra Nevada. Tudo isso pode parecer muito, mas a intenção não é fazer muitas coisas, mas sim criar mais valor. Acho que há duas formas de competir: em valor agregado ou em volume. Na engenharia mecânica não faz muito sentido competir com base no volume; é melhor fazer isso com base no custo dos projetos.
– Você já disse que engenheiros e arquitetos trabalham lado a lado no escritório. Duas guildas conseguirão coexistir sem faíscas?
– M.G.: Se há vinte anos me dissessem que na minha empresa haveria tantos arquitetos quanto engenheiros, eu não teria acreditado, mas hoje é assim. Hoje são duas disciplinas muito complementares e, agora que a construção está concluída, é muito difícil ter sucesso sem este parceiro. A arquitetura é muito importante no planejamento e manutenção paisagística. Os engenheiros projetam infraestruturas, mas devem ser cuidadosos e respeitar o meio ambiente e a área, por isso precisamos andar de mãos dadas. Nossos arquitetos também são um pouco engenheiros civis e aprendemos muito com eles. Agora estamos mais completos.
– Um dos projetos que estão implementando é a expansão da ferrovia mexicana. Lá estão localizados junto com outras empresas sevilhanas como Azvi e Ayesa. O que esse desafio implica?
– M.G.: Começamos a trabalhar no México, se não me falha a memória, em 2017 e começamos praticamente do zero. A partir desse momento tivemos a oportunidade de trabalhar nos principais projetos do país. No novo Aeroporto de Santa Lúcia trabalhamos muito na supervisão de projeto e construção e ganhamos a licitação para supervisionar o terceiro trecho do trem Maya, que foi o projeto estrela do presidente Andrés Manuel López Obrador, e enquanto trabalhamos lá também tivemos a oportunidade de projetar o trecho 7. Agora chegou até nós.
-OU: Trabalhar nesses projetos nos permitiu melhorar nosso currículo ou portfólio e nossa marca, além de atrair muitos profissionais que nos deram um prestígio muito importante e nos inspiraram a assumir outras tarefas de grande porte no atual trecho de Querétaro a Irapuato.
– Presumo que tudo isso implicará na ampliação da equipe tanto aqui como nos escritórios da América Latina.
– MG: Nunca paramos de crescer. Em Espanha, há um ano e meio, havia menos de 50 pessoas e agora somos 80. Então as previsões mostravam que continuaríamos crescendo. E a nível global também somos 400. Nosso plano estratégico deverá ser concluído e apresentado antes da próxima feira de abril, e aí poderemos ter uma previsão para os próximos anos.
– Como você planeja atrair e reter talentos? Esta é uma verdadeira dor de cabeça para as empresas de engenharia hoje.
-M. G: Estamos apostados na formação, temos acordos com plataformas de formação para dar formação individual aos trabalhadores, bem como acordos com instituições como San Telmo e as universidades de Sevilha e Granada, mas é muito difícil porque a concorrência é enorme.
N.W.: Vemos isso em todos os setores, mas especialmente no nosso há um grande problema em atrair e reter talentos. Atribuímos grande importância aos recursos humanos, mas há muita volatilidade no mercado porque existe uma grande procura por estes especialistas. Nas novas gerações encontramos uma grande preparação, creio que estão cada vez mais escolarizadas e muito atualizadas, mas deparamo-nos com o problema de que todos os anos não há licenciados suficientes. Não há dúvida de que são necessárias mais escolas de engenharia.
– Como avalia o estado da engenharia em Sevilha?
-OU: Eu acho muito bom. A engenharia sevilhana e andaluza é altamente conceituada em Espanha e no resto do mundo. Em muitos países, por exemplo na América Latina, vemos a presença de muitas empresas de Sevilha, Andaluzia e Espanha, pertencentes a sectores da economia muito diferentes. Nossa tecnologia é altamente valorizada. Não há debate sobre isso, mas em algum lugar e em algum lugar não é igualmente valorizado. Aqui não é um produto tão valioso quanto pode ser externamente, por mais importante que seja o projeto. É um drama porque na verdade, no final das contas, você não pode pagar aos seus profissionais da maneira que eles realmente deveriam ser remunerados, porque eles não pagam esses honorários.
MG: Acho que também somos consideradas as garotas feias do calçadão. Ou seja, os projetos são um mal necessário, assim como a fiscalização ou as diretrizes de construção. Isto significa que a maior parte da receita vem do exterior.
-Você pode dar um exemplo dessa diferença de tratamento?
-M.G.: Em Espanha cobramos 1% pela gestão da construção, mas lá fora pagamos sete ou até vezes mais. E os projetos que fazemos são igualmente bons, com excelente qualidade, mas os honorários aqui não correspondem à qualidade que nos é exigida. Em alguns projetos, este trabalho de fiscalização ou gestão de construção também foi abandonado, o que resulta em custos, pois às vezes os prazos são prorrogados por falta de coordenação e isso aumenta o orçamento. Vemos isso em muitos casos.