Num mercado da moda saturado de termos como “eco”, “orgânico” ou “consciente”, é fácil esquecer que a indústria têxtil é responsável por 10% das emissões globais de carbono, segundo a ONU. “Os consumidores confiam que as marcas se preocupam em garantir que tudo está bem (…) Esquecemos esta diabólica ferramenta de marketing chamada greenwashing: uma empresa anuncia o seu compromisso com a protecção do ambiente, mas não faz quaisquer alterações sérias, apenas procura branquear a sua imagem”, recolhe Marta D. Riezu em Fair Fashion.
“Para mim, ser sustentável em termos de moda não significa comprar roupas com etiquetas que utilizem palavras cujo verdadeiro significado é difícil para os consumidores decifrarem e que servem apenas para purificar a nossa consciência de consumo”, afirma Asun Dominguez, estilista e diretor da Escola de Moda Asun Dominguez. “O que é verdadeiramente importante é que o consumidor assuma a responsabilidade pelo que e como consome”, acrescenta.
Reduza seu consumo
A sustentabilidade não se trata apenas do tecido, trata-se do que e como ele é consumido. “A única coisa que podemos fazer conscientemente como consumidores é comprar com responsabilidade e evitar compras por impulso”, admite Dominguez, que nos garante que a primeira coisa que nos agradecerá é a nossa carteira.
A maioria dos artigos e especialistas no assunto concorda que não comprar e usar o que você já tem é sempre a opção mais sustentável. “Mas não é interessante porque a indústria precisa deste tipo de consumismo impulsivo, e se isso significa que têm de lançar um rótulo verde, vão lançá-lo”, afirma o especialista, que recomenda reservar alguns dias para pensar se realmente precisamos de roupas antes de as comprar.
Dominguez também enfatiza a importância de reservar um tempo para pensar em como combinar e reutilizar as roupas: “Reservar um pouco de tempo para descobrir como incorporá-las em um novo visual pode dar-lhes uma nova vida”. E também “doe, doe ou venda algo que você sabe que não vai usar”.
Evite a moda rápida
“Não nos enganemos: fast fashion barato e sustentabilidade não combinam”, afirma Dominguez, que defende que não existem opções verdadeiramente sustentáveis e de baixo custo. “Este é um tema muito amplo e há muitos artigos na Internet sobre este tema, mas a realidade é que o que é verdadeiramente amigo do ambiente custa caro”, conclui.
Importância dos materiais
Cada material tem suas vantagens dependendo das prioridades ambientais de cada um, alerta o especialista. “Todos têm os seus prós e contras: o algodão é melhor se estiver preocupado com a poluição e os resíduos dos oceanos; e o poliéster é melhor se estiver preocupado com as emissões de carbono e a durabilidade”, explica Dominguez. “O poliéster é praticamente indestrutível, uma camiseta pode durar 10 anos sem deformar e as de algodão costumam se desgastar mais cedo”, afirma.
No caso dele, explica: “Em vez de evitar algo em particular, procuro qualidade, procuro o acabamento, garantindo que não desbote nem deforme, e que possa ser lavado e passado em casa”.