fevereiro 3, 2026
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A Austrália foi um país pioneiro na proibição do acesso às redes sociais para menores de 16 anos, e a maré começou a se espalhar. A seguir à França, Portugal também pondera limitar o open bar às plataformas digitais para crianças e adolescentes. O Partido Social Democrata (SDP), partido de centro-direita que constitui a maioria na coligação no poder, preparou um projeto de lei sobre bloqueio de acesso, que será debatido na Assembleia da República e provavelmente será alterado pela oposição, dado que o governo não tem maioria absoluta e precisa de negociar com outros partidos. A Câmara é hoje dominada pela direita, com quase 70% dos deputados.

A proposta, que chegará esta segunda-feira ao parlamento e foi avançada no sábado num jornal português. Públicoconsidera dois cenários diferentes. Para menores de 13 anos, é proposta a proibição total de acesso às redes sociais. Para crianças de 13 a 16 anos, a responsabilidade pelas decisões de acesso será transferida para os pais. Neste sentido, será uma regra menos rigorosa do que na Austrália, cujo primeiro-ministro Anthony Albanese justificou a aprovação da lei pelo risco para a saúde física e mental dos menores. Segundo o governo australiano, 96% das crianças entre os 10 e os 15 anos já utilizaram as redes sociais e 70% delas acederam a conteúdos perigosos que promovem a violência, a misoginia, os distúrbios alimentares ou mesmo o suicídio.

Em Portugal, uma proposta criaria um mecanismo para verificar a idade do utilizador através de uma chave móvel digital. O acesso a redes como Facebook, Instagram, TikTok e outras plataformas exigirá permissão dos pais ou responsável legal para aqueles com idade entre 13 e 16 anos. E eles terão algumas condições caso obtenham acesso: suas contas não poderão reproduzir conteúdo automaticamente ou usar técnicas de videogame para prolongar o uso da rede ou enviar notificações não essenciais. “É tempo dos legisladores encararem este problema de frente. Temos de assumir responsabilidades e não deixar as nossas crianças e jovens desprotegidos no ambiente digital”, afirmou o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares. Público. O WhatsApp será excluído da norma por ser considerado um canal de comunicação comum entre pais e filhos.

Iniciada a tramitação na Assembleia da República, serão chamados especialistas para fornecer dados e informações úteis à elaboração do texto final da lei, que se pretende alcançar o maior consenso parlamentar possível. O projeto de lei também atribui responsabilidade às empresas de tecnologia e insta-as a cooperar na proteção de menores. Em particular, terão de instalar mecanismos para detectar contactos suspeitos, bloquear automaticamente mensagens sexualmente explícitas e abrir canais de denúncia rápidos e seguros.

Ver conteúdo sexual e pornográfico em idades mais jovens é um dos problemas mais graves que afetam a saúde emocional dos jovens. De acordo com um estudo realizado pelo Children's Commissioner for England, o órgão governamental que protege os direitos das crianças, 38% dos jovens disseram ter encontrado vídeos pornográficos por acidente.

O incumprimento por parte das plataformas digitais das obrigações estabelecidas pela nova legislação portuguesa será punido com multa até dois milhões de euros “ou mesmo até 2% do volume de negócios anual a nível mundial, o que for maior no caso das grandes empresas”. A Autoridade Nacional de Comunicações e a Comissão Nacional de Proteção de Dados supervisionarão o cumprimento da lei.

Além da Austrália e da França, outros dois países tomaram medidas para limitar a presença de menores nas redes sociais. A Dinamarca anunciou há dois meses que pretendia proibir o acesso a menores de 15 anos e a Grã-Bretanha abriu uma consulta pública para avaliar as restrições para menores de 16 anos.

Em Espanha, a partir de março do ano passado, a idade para abrir uma conta numa rede social sem autorização dos pais aumentou de 14 para 16 anos. O governo também está finalizando um aplicativo para verificar a idade dos usuários antes de acessar páginas com conteúdo pornográfico. A medida está alinhada com a posição da Comissão Europeia, que pretende exigir que os estados-membros implementem sistemas de verificação de idade para acesso à pornografia. Nos últimos meses, Bruxelas lançou uma ofensiva contra quatro grandes plataformas (Pornhub, XVideos, Stripchat e XNXX) devido ao risco que representam para os menores.

Referência