Toledo renovou o seu foco no combate à violência de género no Paseo de Sisebuto. Tal como acontece todas as primeiras terças-feiras do mês, o Conselho Local das Mulheres apelou a uma vigília de memória e recordação, marcando mais uma vez a divisão política sobre como enfrentar este flagelo. Neste caso, foi o PSOE o responsável pela leitura do manifesto no comício, o que mostrou que, apesar do passar do tempo, o consenso institucional ainda não estava completo. O manifesto foi lido pela vereadora socialista Laura Villacañas, que começou com uma mensagem direta e sem eufemismos: “Estamos aqui de novo. E gostaria que não houvesse necessidade disso. O discurso focou então na crueza dos dados e na necessidade de definir claramente a violência sexista. “Não são acontecimentos nem dramas familiares. Isso é violência sexista. “Isso é terrorismo contra as mulheres”, disse ele. Durante o seu discurso, Villacañas lembrou que só em janeiro de 2026, cinco mulheres foram mortas em Espanha pelos seus parceiros ou ex-companheiros, deixando cinco menores órfãos. Em três desses casos já haviam sido apresentadas denúncias e em dois foram tomadas medidas preventivas. O vereador socialista nomeou as vítimas – Pilar, Rainha, Maria Isabel, Maria del Carmen e Victoria, sublinhando que “nomear os seus nomes é um acto de justiça”. O manifesto também focou na responsabilidade institucional, alertando para os riscos de suavizar a linguagem ou diluir o assunto. “Quando a sociedade fala mal, deixa a porta aberta à impunidade”, disse Villacañas, apelando a mais coordenação, recursos e supervisão real das mulheres que já deram o passo e procuraram ajuda. Digno de nota é a violência vicária, definida como uma das formas mais “brutais” de violência sexista em que filhos e filhas são usados como instrumentos de dano. “Em janeiro, cinco menores ficaram órfãos. “Também foram privados da vida que conheciam”, lembra. A nível local, o PSOE concentrou grande parte das suas reivindicações na Câmara Municipal de Toledo. Por um lado, exigiu que todos os vereadores da Corporação fizessem uma declaração institucional conjunta, sem nuances nem mas, contra a violência de género. Perante estas reivindicações, a vereadora dos Assuntos Sociais, Inclusão, Família e Idosos Marisol Illescas (PP) manifestou o repúdio “firme e resoluto” da equipa governamental à violência de género. Illescas lamentou os assassinatos relatados em janeiro e outro em fevereiro, dizendo que os dados “continuam a ser alarmantes” e exigem uma “resposta unânime de todas as administrações”. A Conselheira do Povo defendeu a necessidade de apoiar políticas “firmes, coordenadas e unânimes” de todos os grupos políticos para oferecer aos cidadãos “uma imagem de unidade institucional” no combate à violência sexista. Nesse sentido, enfatizou que “os fatos e as políticas públicas que estão sendo desenvolvidas” importam. Como exemplo, Illescas citou o compromisso da cidade de Toledo com o sistema VioGen, que permite melhorar a proteção. Além disso, reafirmou o compromisso da Câmara Municipal de continuar a trabalhar “com tranquilidade e com responsabilidade institucional” para reforçar a prevenção e a educação, especialmente entre os jovens, “pois a educação é uma ferramenta fundamental”.
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