Patti Smith chegou a Nova York aos vinte anos: uma cidade suja, perigosa, difícil, mas também cheia de oportunidades para jovens artistas que, como ela, não tinham medo do risco, da fome ou da confiança na sorte. Cinquenta anos depois, ambos viveram vidas paralelas. Nova York, uma cidade resiliente pronta para renascer e se transformar, apresenta ruas mais limpas e seguras, mas sempre oferece sua face mais hostil a quem decide colocar todas as cartas ali. Quanto a Patti, ela agora é madrinha. punkum escritor prolífico, um símbolo da luta contra a injustiça, um sobrevivente de perdas dolorosas, um raio de luz e esperança para as novas gerações.
“Aos vinte anos entrei em um ônibus. Usava um macacão, uma gola alta preta e uma velha capa de chuva cinza que comprei em Camden. Na minha pequena mala, decorada com xadrez amarelo e vermelho, havia vários lápis de desenho, um caderno, Iluminações (seu autor favorito, Arthur Rimbaud), diversas peças de roupa e fotografias dos meus irmãos. Eu era supersticioso. Hoje era segunda-feira; nasci na segunda-feira. Foi um bom dia para chegar. Ninguém estava me esperando em Nova York. Tudo me disse: “Eu estive esperando”.