fevereiro 10, 2026
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MADRI, 9 (EUROPA PRESS)

A Procuradoria venezuelana explicou esta segunda-feira que a nova detenção do opositor Juan Pablo Guanipa se deve ao facto de este não ter cumprido as “condições” apresentadas para a sua libertação, e exigiu que fosse colocado em prisão domiciliária.

A família de Guanipa disse no domingo que ele foi “sequestrado” poucas horas após sua libertação. No entanto, o Ministério Público indicou que, com base nas “suas competências constitucionais e legais”, solicitou às autoridades competentes o cancelamento da libertação do líder da oposição, uma vez que “foi confirmado o incumprimento das condições estabelecidas”.

“As medidas cautelares acordadas pelos tribunais estão condicionadas ao estrito cumprimento das obrigações atribuídas e ao facto de o incumprimento conferir à autoridade judiciária o direito, a pedido de uma das partes, de cancelar ou substituir medida anteriormente prescrita”, explicou o Ministério Público em comunicado. A este respeito, o Ministério Público informou ter solicitado a colocação de Guanipa em prisão domiciliar.

O ministro do Interior venezuelano, Diosdado Cabello, confirmou mais tarde que um dos libertados foi preso novamente por “violar as condições sob as quais foi libertado”. “Ao chamar às ruas, ao chamar… este país quer a paz”, explicou Cabello num discurso transmitido pela televisão pública venezuelana VTV.

“897 pessoas saíram e conheceram as suas famílias até que a estupidez esclarecida de alguns políticos acreditaram que podiam fazer o que quisessem e envergonhar (perturbar) o país”, afirmou.

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodriguez, defendeu a proposta de lei de anistia do governo. “Há um processo de consulta nacional em curso sobre a lei de amnistia, que deverá promover a unidade e a reconciliação”, observou durante um evento público.

“Estamos reunidos em todos os setores do país, vamos aderir a esta lei de amnistia, e vamos também acrescentar um programa de convivência democrática e de paz, onde nos reunimos apesar das diferenças, do pluralismo e da diversidade, mas nos reunimos com respeito”, afirmou.

Guanipa foi um dos últimos líderes políticos de alto escalão a permanecer na prisão. A sua libertação, que durou apenas doze horas, ocorreu na véspera de uma lei de anistia que o governo venezuelano pretende aprovar na terça-feira, segundo a qual os presos políticos deverão ser libertados da prisão.

Guanipa, ex-governador de Zulia, é líder do partido Primero Justicia e aliado próximo da líder da oposição Maria Corina Machado. Foi preso em 23 de maio de 2025, dois dias antes das eleições regionais e parlamentares, e acusado de terrorismo, traição e associação criminosa.

O opositor esteve escondido durante dez meses após as eleições presidenciais de julho de 2024. Foi candidato do Primero Justicia nas primárias da oposição venezuelana de 2023, embora a sua candidatura tenha acabado por não ser bem sucedida.

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