Segundo o El Economista, um fabricante europeu Airbus planeja entregar os primeiros caças Eurofighter Falcão para o Exército Aeroespacial no próximo verão. A primeira aeronave será entregue entre junho e julho, disseram fontes da defesa, num calendário que ajusta as projeções iniciais apresentadas no final do ano passado.
Esta primeira entrega faz parte de um dos maiores programas de modernização militar empreendidos pela Espanha nas últimas décadas. O governo destinou mais de 6,6 mil milhões de euros para a aquisição de 45 novos Eurofighters, destinados a reforçar e expandir a frota, que ultrapassará as cem unidades nos próximos anos.
Fornecimento chave para a Força Aérea
O calendário final coloca o início das entregas em meados do verão, embora inicialmente tenha sido explorada a possibilidade de a aeronave chegar no início do ano. O próprio Chefe do Estado-Maior do Exército Aeroespacial indicou publicamente esta opção, embora não tenha especificado datas específicas.
Fontes entrevistadas indicam que os primeiros dispositivos ainda não entraram na fase de voo operacional, um importante passo preliminar antes da sua aceitação oficial pela Aeronáutica. Este processo técnico explica parcialmente os ajustes de calendário comuns a programas de aviação muito complexos.
Base Los Llanos, primeiro destino
As três primeiras unidades Eurofighter Halcón serão projetadas para Base Aérea de Los Llanosem Albacete, sede da 14ª ala. A instalação será, portanto, o primeiro enclave operacional em Espanha a receber a nova configuração de caça europeu, concebida para incluir melhorias significativas em sensores, aviónica e capacidades de combate.
A seleção de Los Llanos atende tanto aos critérios operacionais quanto à experiência acumulada da unidade pilotando o Eurofighter em versões anteriores, o que facilitará a transição para o novo padrão.
Eurofighter como eixo da aviação espanhola
O Eurofighter pretende tornar-se o pilar central da defesa aérea espanhola nas próximas décadas. O seu papel será partilhado, pelo menos no papel, com o futuro caça de sexta geração que deverá surgir como parte do programa europeu FCAS, embora o desenvolvimento deste projecto acarrete incertezas importantes.
O FCAS, promovido por Espanha, França e Alemanha, vive um período de tensão industrial e estratégica. Este contexto reforça o papel do Eurofighter como uma solução madura e totalmente operacional, capaz de ganhar mais peso do que originalmente previsto no planeamento militar espanhol.
Um programa europeu de importância estratégica
Neste cenário, o Eurofighter Halcón ganha relevância não só como plataforma de combate, mas também como vetor industrial e tecnológico. Espanha está ativamente envolvida na sua produção e desenvolvimento, o que garante o retorno industrial e a soberania tecnológica numa área crítica.
O possível atraso na entrada em serviço do FCAS, originalmente previsto para cerca de 2040, significa que o fortalecimento da frota atual é considerado uma prioridade para os planeadores de defesa.
Investimentos superiores a 22.000 milhões
No ano passado, o Conselho de Ministros aprovou um aumento significativo no limite máximo de custos do programa Eurofighter. O acordo original, assinado em 1997, envolveu um investimento de 5,9 mil milhões de euros, valor que subiu para 22,1 mil milhões através do acréscimo de diversas fases, atualizações e manutenção do sistema.
De acordo com a documentação oficial do DoD, o programa não se limita à compra de novas aeronaves, mas inclui a contínua atualização, manutenção e melhoria das capacidades operacionais do sistema de armas EF-2000 ao longo de todo o seu ciclo de vida.
A este valor acrescenta-se um pré-financiamento de mais de 3,1 mil milhões de euros do Ministério da Indústria, destinado a apoiar a carga industrial associada ao programa.
Duas fases de substituição do F-18
O programa Halcón consiste em duas fases principais. O primeiro, conhecido como Halcón I e assinado em 2022, prevê a aquisição de 20 caças até 2030 em um mix de versões monoposto e biposto.
A segunda fase, Halcón II, prevê a inclusão de mais 25 aeronaves entre 2030 e 2035. Estas aeronaves substituirão gradualmente os antigos F-18 estacionados na base de Gando, nas Ilhas Canárias, e em serviço desde meados da década de 1980.
Uma vez concluídas ambas as fases, a frota total da Espanha será composta por 115 Eurofighters de diversas versões, número superado apenas pela Alemanha e pelo Reino Unido no consórcio europeu. A chegada do primeiro Halcón neste verão marca assim o início visível de uma transformação estrutural do poder aéreo espanhol.