fevereiro 11, 2026
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A propagação do sarampo no México causou alarme. A presença de casos em todos os estados do país, confirmando a transmissão generalizada do vírus, acelerou as campanhas de vacinação e a introdução de medidas preventivas em entidades como Jalisco, onde se concentra a maioria dos casos. À medida que a possibilidade de perder o estatuto de país livre da doença para a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) se aproxima no horizonte, as questões sobre a natureza do vírus, o risco de infecção e os calendários de vacinação disparam nos motores de busca e nas redes sociais.

Como o sarampo é transmitido?

Como qualquer outro vírus respiratório, o sarampo se espalha pelo ar pela inalação de gotículas microscópicas produzidas por uma pessoa doente ao falar, tossir ou espirrar, que permanecem suspensas no ar e contêm vírus suficiente para causar infecção. Os epidemiologistas usam uma métrica chamada número reprodutivo básico, conhecida como R0, para ver a facilidade com que uma doença infecciosa se espalha. “O número reprodutivo básico determina quantas infecções uma pessoa doente pode causar em uma população desprotegida”, explica ao jornal Mauricio Rodríguez Álvarez, porta-voz do programa de risco epidemiológico da UNAM. Para o sarampo, o R0 é calculado entre 16 e 18, “o que significa que uma pessoa com sarampo pode infetar até 18 pessoas que não estavam protegidas. Ao mesmo tempo, dizemos que este é o vírus mais contagioso que existe”, assegura, sublinhando que o cálculo se baseia sempre no cenário ótimo de transmissão, “em que não são tomadas medidas para o travar”.

Para avaliar o quão contagioso é o sarampo, Rodriguez usa o exemplo da Covid-19 num dos momentos mais contagiosos da pandemia, o verão de 2021, no meio de uma onda causada pela variante delta: “O vírus sofreu mutação e tinha características que lhe permitiram ser mais contagioso, e estima-se que uma pessoa poderia infectar quatro”. No caso da gripe sazonal, explica, nos períodos de maior atividade durante as epidemias, o R0 fica entre 1,5 e 2,5.

Outras medidas preventivas além da vacinação funcionam?

Rodríguez é categórico nesta questão: “Não deve ser uma ação que exclua a outra, mas sim um acréscimo: sem dizer “vamos vacinar”, então descuidemos das medidas de prevenção de infecções, e sem dizer “vamos usar máscaras”, então descuidemos da vacinação. Devemos avançar nestas duas frentes”, explica. Em Jalisco, o estado com mais casos ativos do país, o governo estadual determinou o uso de máscaras nas escolas dos municípios onde se concentra o maior número de casos, assim como o estado do México, o mais populoso do país.

Embora ambas as frentes sejam complementares, quando o vírus começa a circular, tanto as medidas de imunização como de controle de infecção, as mesmas que se popularizaram durante a pandemia do novo coronavírus, precisam ser intensificadas. “Quando não se tem transmissão do vírus, é tudo uma questão de vacinação, mas quando se tem, tem que se vacinar, tem que estar extremamente vigilante e evitar a transmissão na comunidade, usando medidas gerais: máscaras faciais para pessoas doentes, auto-isolamento se estiverem doentes, higiene das mãos e superfícies, objectos e objectos utilizados pelos doentes, ventilação”, afirma.

Por que as pessoas com mais de 49 anos estão mais protegidas?

Diferentemente do cenário habitual com doenças respiratórias como a Covid-19 e a gripe sazonal, onde as campanhas de vacinação priorizam os idosos, o caso do sarampo é especial: o governo determinou que pessoas com mais de 50 anos não precisam de vacinação porque a alta circulação do vírus ao longo do último meio século lhes conferiu imunidade duradoura e eficaz. “Quem tem mais de 50 anos tem proteção em virtude de sua história de vida porque viveu a infância em um período epidemiológico em que havia muitos casos de sarampo. Durante as décadas de 50, 60, 70 e 80, o vírus se espalhou amplamente e todos que eram meninos ou meninas na época foram infectados, foram de alguma forma expostos ao vírus, sabiam disso e desenvolveram imunidade; sobreviveram e hoje têm proteção duradoura”, diz Rodriguez.

Na década de 1970, a introdução da vacina contra o sarampo levou à diminuição da incidência do vírus e ao mesmo tempo aumentou a cobertura das pessoas vacinadas, cenário em que a proteção populacional deixou de ser consequência da eliminação da doença natural e passou a ser consequência da vacinação, explica Rodriguez. “A imunidade adquirida através de doenças naturais é melhor do que a imunidade de uma vacina porque o corpo responde de forma diferente aos vírus virulentos e aos vírus enfraquecidos encontrados nas vacinas.” O especialista em doenças infecciosas explica que todos os estudos que avaliam os níveis de anticorpos em pessoas a nível populacional mostram que a faixa etária com mais de 50 anos tem “níveis de proteção suficientes para que não corram tanto risco como os mais jovens”.

Quem deve tomar a vacina?

Com base em evidências analisadas ao longo de décadas, as recomendações de vacinação mudaram ao longo do tempo, assim como os padrões para alcançar a melhor proteção contra o sarampo. No México, os estudos mais recentes apoiam a imunidade adquirida em pessoas com mais de 50 anos e a necessidade de vacinar populações fora dessa faixa etária que não receberam o esquema completo, que consiste em duas doses de uma vacina tríplice viral contendo vírus atenuados do sarampo, da caxumba e da rubéola, explica Rodriguez. As pessoas vacinadas nos últimos seis anos também estão protegidas e não precisam de tomar outra dose de reforço.

“O que estamos a observar agora através do trabalho do Inquérito Nacional de Saúde e Nutrição é uma população entre os 18 e os 49 anos que tem níveis de proteção insuficientes. Foi assim que se soube, no ano passado, que havia um grupo de pessoas com mais de 50 anos que tinham proteção suficiente, e um grupo de pessoas com menos de 49 anos que tinham proteção insuficiente. Sabemos também que o grupo dos 20 aos 39 anos tem o nível de proteção mais baixo”, afirma, apelando à vacinação como mecanismo. eficaz e seguro para impedir infecções. “São vacinas usadas rotineiramente e em situações de emergência há mais de 50 anos de forma segura e eficaz”, finaliza.

Referência