fevereiro 12, 2026
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O corpo humano possui um sistema imunológico notável. É um escudo protetor que nos protege de vírus, bactérias e outros invasores externos, mas quando o câncer aparece, nem sempre está pronto para combater aquelas células que começam a crescer descontroladamente. cientista Francês canadense Michel Sadelin No início dos anos 90, foi proposta uma nova estratégia para ajudar o nosso sistema de defesa natural a combater os tumores. Essa estratégia envolveu treinar linfócitos T (células responsáveis ​​pela defesa do organismo) para reconhecer as células cancerígenas, atacá-las e destruí-las. Assim nasceu o CAR-T, uma ideia simples que revolucionaria o tratamento do câncer.

O tratamento funciona como uma terapia adaptada a cada indivíduo. Primeiro, os linfócitos são extraídos, modificados em laboratório por meio de engenharia genética e injetados de volta no paciente para combater o tumor.

Sadelin fez as primeiras aproximações em laboratório. Então o explorador americano Carl H. junhomostraram que o CAR-T funcionou em pacientes reais. E o mais importante é que estes linfócitos modificados não só sobreviveram no corpo humano, mas sobreviveram o tempo suficiente para eventualmente atacarem o cancro.

Pelas contribuições de ambos os cientistas, a Fundação BBVA atribuiu-lhes o prestigioso prémio Frontiers of Knowledge 2026 na categoria Biologia e Biomedicina. A conquista é reconhecida como uma conquista relativamente recente, mas que, segundo o júri, já beneficiou “dezenas de milhares de pessoas, incluindo muitas crianças”.

Terapia adaptada ao paciente

Após o anúncio do prêmio, Carl H. June explicou à ABC o escopo de sua descoberta: “As células CAR-T são apenas o primeiro exemplo de como a terapia celular pode ajudar a tratar muitas outras doenças”. O cientista garante que já se observam grandes sucessos no tratamento de muitas patologias autoimunes, como lúpus, artrite reumatóide ou síndrome do olho seco e outras.

Embora até agora os maiores sucessos tenham sido alcançados na oncologia. Primeiro, combater tumores sanguíneos, como leucemia ou linfoma, bem como tumores sólidos. A verdade é que a imunoterapia “faz com que deixemos de ter medo de falar em tratar o cancro. O objetivo da terapia é curá-lo e não apenas transformá-lo numa doença crónica”, sugere.

A primeira resposta foi completa

A história pessoal de June também envolve câncer. Seu interesse pela imunologia começou com a doença de sua mãe, que sofria de uma doença autoimune que existia na família. Mais tarde, isso se tornou uma prioridade quando sua primeira esposa contraiu câncer de ovário aos 41 anos e morreu seis anos depois. A oportunidade de demonstrar a eficácia do tratamento CAR-T tornou-se uma prioridade para ele. Foi em 2010, quando os seus primeiros pacientes com leucemia concordaram em participar no primeiro ensaio clínico, que ele percebeu que todo o esforço valia a pena. A terapia teve sucesso em ratos, mas funcionou ainda melhor em humanos. “Nosso primeiro paciente teve uma resposta clínica completa que durou mais de dez anos. Sabíamos desde o início que se tratava de uma nova e poderosa forma de tratamento”, lembra.

“Nosso primeiro paciente teve uma resposta clínica completa. Sabíamos desde o início que esta era uma forma nova e poderosa de tratamento.”

É surpreendente que o primeiro paciente tenha sido curado com uma única infusão dessas células derivadas do sangue e que tenha retido as células CAR-T em seu corpo por dez anos. Infelizmente, ele faleceu, mas não foi devido a tratamento ou câncer. Ele morreu durante a pandemia de Covid. O segundo paciente que recebeu tratamento ainda está vivo e ainda possui células CAR-T em seu corpo.

Michel Sadelin, cientista francês também premiado por suas realizações no campo da imunoterapia.

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A pesquisa de June e Sadelin desempenhou um papel fundamental na divulgação do tratamento em todo o mundo. Embora ainda existam incógnitas a serem resolvidas. Uma delas é descobrir por que o tumor praticamente desaparece em alguns pacientes e em outros não. “Esta é uma questão muito interessante e objeto de intensa investigação, embora ainda não tenhamos a resposta”, admite June.

Outra dúvida em torno da imunoterapia é o medo de que o paciente desenvolva um segundo tumor após usá-la. June está preocupada e por isso garante que todos os pacientes sejam monitorados para essa complicação. “Felizmente, este acabou por ser um problema raro e, na verdade, é menos comum do que o desenvolvimento de segundos tumores após altas doses de quimioterapia”, tranquiliza.

Referência